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The one - 10

Quarta-feira, 06.02.13

 "Eu amo-te Becky"

 

 

 

 

Vesti um top porque o Verão já se fazia sentir, os dias secos tinham chegado.
                Não via Jack há um mês, nem na escola, nem na rua, nem nos sítios que eu conhecia tão bem e ele também. Tinha ido a sua casa depois do seu pai ter sido preso e ter confessado tudo o que tinha feito aos meus, mas… nunca mais tinha visto nem uma sombra dele.
                 Também nunca mais tinha entrado em minha casa, até a tinha colocado para vender e ia lá hoje buscar o resto das minhas coisas. Não sabia o que ia acontecer enquanto empacotava tudo, sentia que precisava de alguém, mas não queria aborrecer ninguém com as minhas coisas, já bastavam os meus dramas todos nos últimos meses.
Enquanto eu parecia na mesma, tudo em casa daquela família onde vivia agora estava a mudar. O pai e a mãe de Marie e Mason estavam a separar-se, pelos vistos ele tinha um caso com a empregada, Mason tinha arranjado uma namorada. Sim, eu bem tinha dito que ele não gostava de mim. Estava só confuso por sermos tão bons amigos e nos conhecermos há tantos anos. Marie era a única que continuava mais ou menos como eu, mas já me tinha perdoado, pelo menos isso.
                Desci as escadas como sempre fazia e assim que ia sair da porta senti-me ser puxada pelo braço. Olhei para trás de olhos arregalados e vi Mason, que me encostou a ele com um sorrisinho.
                -Eu vi o Jack, ontem. Estava a comprar um gelado, quando me viu desapareceu – olhei instintivamente para a minha chave de casa, para depois sentir as mãos do meu melhor amigo nas minhas bochechas. – Procura-o, não gosto de te ver assim. – levantei o olhar, tal como ele me tinha obrigado a fazer e assenti devagarinho dando-lhe um beijinho na bochecha.
                - Vou arrumar as minhas coisas e as coisas da minha mãe, queres vir? – perguntei. Estava contente que ele tivesse arranjado uma namorada e que me tivesse superado, mas sentia falta de quando eramos inseparáveis, ele tinha mudado muito com Catherine.
                -Desculpa, vou treinar e depois vou dar uma volta com a… - abanei a cabeça e abri a porta para sair.
                - Não faz mal, deixa – saí de casa sem que ele dissesse nada. Só queria algum tempo de qualidade com o meu melhor amigo e… talvez precisasse de algum conforto enquanto arrumava as coisas da minha mãe e do meu pai. Não sabia se conseguia fazer aquilo sozinha.
Mordi o lábio com força quando abri a porta de minha casa e a fechei. Por onde havia de começar? Tinha trazido o carro de Marie com umas caixas, ia empacotar tudo o que era importante para mim e para os meus pais e deixar o resto para os outros fazerem. Tudo o que ia arrumar agora ia para uma casa de férias que pouco era usada por nós.
                -Posso? – saltei quando ouvi uma voz, mas percebi que era apenas Mason. Virei-me para ele e sorri-lhe ligeiramente.
                -Não precisavas de ter vindo – olhei para trás dele, para ver se via Catherine, mas ela não estava com ele. – Onde é que ela está? – perguntei-lhe.
                -Eu cancelei, expliquei-lhe que precisavas e ela compreendeu – agarrou numa das minhas mãos e beijou-a. – Desculpa não andar presente – pediu-me puxando-me pela cintura para um abraço.
                - Eu desculpo – disse baixinho com a cabeça encostada ao seu peito – Estou feliz por ti, quero que estejas bem. Recebi um sorriso gigante de Mason, já não o via assim há algum tempo. Beijei-lhe a bochecha quando cheguei à mesma e puxei-o. – Anda mas é ajudar-me – sorri-lhe fazendo-o sentar-se no meio do chão a arrumar os livros dentro de uma das caixas.
Tive que obrigar o Mason a ir embora, porque ele tinha treino, não queria que ele tivesse ido tão cedo, mas já tinha sido bom. A conversa que tive com ele, o facto de ele me ter pedido desculpas e reconhecer que se estava a afastar de mais já me tinha dado forças suficientes para acabar o que estava a fazer. Quando fiquei sozinha fui para a cozinha, arrumar a salva de prata que a minha mãe tanto queria preservar quando ouvi uma cama a ranger. A minha cama já fazia aquele som há algum tempo, mas só quando eu me deitava ou levantava. Senti os meus músculos ficarem tensos assim que ouvi tudo de novo. Pousei a salva dentro da caixa e olhei para a porta como se alguém fosse aparecer dali. Voltei a ouvir o mesmo som e percebi de onde vinha. Do meu quarto. Quem é que estaria no meu quarto? Ratos? Agarrei numa jarra que estava a um canto da mesa pelo sim pelo não e abri a porta devagarinho. Havia mesmo ali uma pessoa, conseguia ouvir certos movimentos feitos. Quando vi o vulto aproximar-se de mim levantei a mão que tinha a jarra. A porta foi aberta e a minha reacção foi instantânea. A jarra da minha mãe embateu na cabeça de Jack e vi-o cair atordoado ao mesmo tempo que os cacos.
                -Jack? – deixei escapar um som de espanto e caí  ao seu lado, passando a mão pela sua cabeça, onde tinha a certado com a jarra. Afastei os cacos para não me cortar e passei um dedo pelo sangue que corria de um corte que havia na sua testa, aparentemente era o único.
                -Au. Au. – queixou-se ele afastando a minha mão. Engoli em seco e endireitei-me ficando a olha-lo.
                -Há quanto tempo estás aqui? – perguntei levantando-me e esticando-lhe uma mão para que fizesse o mesmo.
                -Não sei bem – disse olhando para a minha mão, mas lá aceitou e levantou-se. -  Não queria estar em minha casa e os meus tios são uns falhados por isso – encolheu os ombros. Apetecia-me saltar-lhe para cima e abraça-lo, ficar assim durante muito tempo até me esquecer de tudo.
                -Tu desapareceste, nunca mais ninguém te viu, tu tens a noção da preocupação que me...
                -Apeteceu-me – disse ele interrompendo-me – também te apeteceu contar tudo sobre eles. – houve uns tempos em que eu pensava que ele me ia compreender porque já perdeu a mãe, mas não… ele não ia compreender. Eu tinha-lhe tirado tudo o que ele tinha, tal como o pai dele me tinha feito a mim. Não tinha sido vingança, mas parecia. Conseguia compreendê-lo, mas ele também me devia compreender a mi.
                -Jack, eles mataram os meus pais, eu fiquei como tu estás agora. – pousei as mãos nos seus ombros, mas ele manteve-se na mesma posição – sozinho e sem ninguém. Eu não queria deixar-te assim, mas… eles eram criminosos.
                -Também o teu pai.
                -E pagou por isso da pior maneira – afastei-me virando costas e indo até à cozinha, ele vinha atrás de mim, conseguia senti-lo. Cerrei o maxilar para não chorar novamente, os últimos anos tinham sido passados assim e eu já estava farta.
                -Eu… - Jack tentou falar, o que me fez virar para ele – eu percebo-te. – não era preciso olha-lo para sentir que se estava a aproximar de mim. Todo o meu corpo se arrepiava a cada passo em frente que ele dava. – Mas eu estou…
                -Magoado, eu sei, ultimamente magoo as pessoas só com o olhar. – disse olhando os seus olhos que já estavam demasiado perto de mim, assim como os seus lábios.
                -Não – disse baixinho – assustado – senti uma das suas mãos no meu cabelo e fiquei a olha-o, ou tentei ficar porque só me apetecia beija-lo e continuar a beija-lo e beija-lo mais. – pensava que a pessoa que eu amava já não sentia o mesmo por mim, por causa das porcarias dos nossos pais – o meu coração parou por segundos, até tive que me agarrar à camisola dele para não cair. Ele tinha acabado de dizer que me amava não tinha? Não sei, parecia que estava a sonhar. – Eu amo-te Becky – disse baixinho – e eu sei que também me amas – assenti com a cabeça sem saber o que dizer e não foi preciso, porque ele me beijou.
               

 

Está uma coisinha fraca eu sei, mas isto das inspirações já não anda  muito bom à muito tempo, só fico inspirada quando não devo, que é nas aulas.

Foi último apesar de não ter parecido o.o, e já tenho outra em mente, mas essa só vem mais tarde, quando já tiver alguns capitulos de avanço.

Obrigada a todos os que leram e apesar de tudo espero que tenham gostado.

 

ps: visual em obras, se virem algo estranho não liguem

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The one - 9

Segunda-feira, 28.01.13

"Jack, eu denunciei o teu pai e a tua madrasta"



Agora percebia porque não reconhecia a voz, estava distorcida com um aparelho qualquer. 
            -O quê? - falei baixinho tentando largar-me do que quer que me prendesse as mãos e os pés, que me fazia andar.

            -Onde está o antidoto? - voltaram a perguntar-me e senti uma pressão no pescoço. Não estava a ver nada porque tinha uma espécie de saco a enfiada na cabeça e era isso que pressionava o meu pescoço agora. Tossiquei abanando a cabeça. 

            -Eu não sei de nada - disse com o medo a surgir no meu peito, a única coisa que tinha em mente e que conseguia pensar era em como sair dali. 

            -Essa não é a resposta certa - senti uma coisa debaixo do rabo e tentei olhar para os lados mas continuava sem ver - vais ficar aí a pensar.

            -O quê? - guinchei a tremer - Eu não sei de nada juro. Juro. Juro - fechei os olhos com força e tentei controlar-me para não entrar em pânico, sabia que se entrasse ia ser pior. Quando senti uma brisa mais fresca na cara percebi que já me tinham tirado o saco pelo que olhei em volta mas só vi uma pessoa toda de preto a ir embora. Estava numa sala vazia, completamente vazia, apenas à minha frente havia uma janela e em todos os cantos uma porta. Olhei em volta e cerrei o maxilar com força. Começava a odiar o meu pai, tinha sempre seguranças atrás dele e atrás da minha mãe, mas tinha morrido, a minha mãe tinha-os dispensado e agora todos tínhamos morrido. Se já me considerava morta? Já. 

O que estava a prender os meus pulsos não era corda, era um fio de plástico fininho que os cortava se me mexesse muito, o mesmo acontecia com os tornozelos. Conseguia vê-los. - Vá lá... - murmurei enquanto tentava uma forma de colocar os meus braços para a minha frente, mas era impossível passa-los por cima da cabeça.  O meu corpo não estava preso à cadeira, pelo que me atirei ao chão, sentando-me e sorri quando tive uma ideia. Tinha que passar os meus braços por baixo do rabo e depois pelas pernas, só assim daria. 

Demorei cerca de cinco minutos a fazê-lo, era boa no que praticava e tinha uma boa elasticidade, olhei para os meus pulsos em sangue e levei o fio à boca, isso sim demorou mais porque o fio não rasgava.

            -Rebecca - ouvi e dei um salto olhando para todas as portas já só vendo Jack a agarrar-me ao colo. Eu sabia que era ele pelo seu cheiro,pois só depois o consegui ver - Becky - voltou a repetir na sua forma mais carinhosa. - Desculpa.

            -O que é que estás aqui a fazer?  - perguntei a Jack, agarrando-me a ele, grata por de onde quer que ele tenha aparecido, me tinha salvo. - Onde é que estamos? - ele não falou - Jack o que se passa? - tentei sair do colo dele, mas ele não deixou e quando dei por mim já estava no seu quarto, como naquela tarde. - Mas... - olhei-o de olhos arregalados. - foi o teu pai... 

Ele fiquei na mesma posição séria a olhar-me. 

            -Não foi o meu pai - disse baixinho e sentou-se à minha frente - foi a minha madrasta.

            -E o teu pai - insisti levantando-me. Precisava de sair dali, precisava de encontrar o pai de Marie e contar tudo. Quando estava quase a chegar à porta ele meteu-se à frente. - Sai já Jack - ele não fez por isso e eu dei-lhe um murro na barriga tentando abrir a porta, mas isso não aconteceu. Estava trancada. - Jackson abre a porta - gritei-lhe vendo-o aproximar-se. - Não. Deixa-me ir embora - ele aproximou-se mais até me agarrar fazendo-me contorcer para sair dali. - JACK - gritei-lhe aos ouvidos a espernear.

            -Não Becky, cala-te por favor - disse contra mim fazendo-me ficar parada - o meu pai ajudou, ele fica diferente com ela, mas não... 

            -Foi ele - limpei as lágrimas agarrando-me à camisola dele. 

            -Tem calma - pediu-me abraçando-me. - Já passou, ele trouxe-te para casa e disse para te vir buscar.

            -De certeza que não era para vir assim - disse a tremer, mas ouvi-o rir-se.

            -Não, não era assim.

                -Para que é que eles querem o antídoto? Se é que existe um.– perguntei afastando-me e virando-lhe costas. Não percebia porque é que ele não me contava tudo de uma vez e deixava que coisas como estas acontecessem, podia ficar tudo esclarecido num instante, ou não, porque eu não sabia de nada disto do meu pai e muito menos sabia de um antídoto. Vi Jack engolir em seco e sentar-se, virei-me para ele e fiquei a olha-lo.
                -Porque a minha mãe não foi a única – disse baixinho – A minha irmã mais velha… – juntei as sobrancelhas. Irmã mais velha?
                -Tu tens uma irmã mais velha? – perguntei sentando-me ao seu lado e vi-o anuir.
                -Não é filha legítima e estava a viver com o outro – levantei uma sobrancelha enquanto ela falava – a minha mãe perdeu em tribunal quando souberam da doença – explicou – mas ela também foi submetida aos testes e… a minha madrasta é a mãe dela, o outro morreu.
                - O pai da tua irmã morreu e era casado com a tua madrasta – ele assentiu e eu fiz o mesmo.
                -A minha irmã está mesmo mal e… eles querem o antídoto, mas não confiam em ninguém, acham que pode fazer alguma coisa.
                -Eu não sei sobre o antídoto. – abanei a cabeça – mas posso procurar – disse baixinho, só tinha que pensar um pouco, o meu pai era um homem previsível e eu conhecia-o melhor que ninguém, quer dizer… pensava eu.
                -Queres que eu te leve a casa? – perguntou-me. Ainda fiquei na duvida se era a casa de Marie ou  a minha, mas como sabia que ele não se ia arriscar a ir à da ex-namorada eu assenti levantando-me.


Jackson levou-me no seu carro até minha casa, fitei-a de fora e engoli em seco. Era estranho voltar a entrar lá depois de tanto tempo.
                -Eu vou contigo – olhei para Jack quando falou e abanei a cabeça. Ele percebeu que eu queria fazê-lo sozinha pelo que se afastou e eu abri a porta devagarinho. A casa estava como eu a tinha deixado, depois da minha mãe ter entrado naquela depressão era eu que arrumava e limpava tudo. Comecei a andar devagarinho por toda a casa até chegar ao escritório do meu pai. Não fazia a mínima por onde ia começar, provavelmente nem estava aqui, ele não trabalhava só em casa. Mesmo assim eu sabia que ele pensava que em casa era mais seguro. Senti alguém atrás de mim e vi Jack a olhar-me pelo espelho que havia à minha frente. Fechei os olhos e respirei fundo abrindo a primeira gaveta que vi. Papéis, papéis e mais papéis. Fiz o mesmo nas outras todas e não havia nada.
                -Ele não tem um cofre? – perguntou-me Jack depois de muito tempo calado. Eu assenti e olhei para o mesmo, estava bem camuflado pela parede, mas eu que sempre tinha sido uma cusca conseguia perceber que ali estava. Fui até ele e abri a primeira porta encontrando depois os números para pôr o código.
                -Eu não sei o código – disse baixinho.
                -Disseste-me que o teu pai era previsível – olhei Jack – Tenta o teu nome, ou a tua data de nascimento – ele encolheu os ombros, mas tinha uma certa razão. Assim que digitei a alcunha que ele me dava, Beks, o cofre abriu-se. Havia dinheiro, estratos bancários, uma arma e uma caixa dourada. Agarrei na mesma e quando a abri estava lá dentro um frasco e uma seringa ao lado.
                -Achas que é isto? – perguntei a Jack e ele agarrou no frasco e assentiu.
                -Acho que sim – fechei o cofre novamente e levantei-me.
                -Então vamos dar isto ao teu pai e acabar com isto de uma vez. – disse apressada.
                -Não – vi-o abanar a cabeça – primeiro vais falar com a Marie, eu vou dar isto ao meu pai e… e ele vai parar com isto. – eu não acreditava muito no que ele me estava a dizer, mas assenti. Confiava nele para fazer o que quer que fosse, não confiava era na hipótese de ele conseguir. Sentei-me na cadeira do meu pai, recebendo um beijo na testa e vi-o sair de minha casa.

 

Tinha passado a noite minha casa, tinha sido um dia demasiado grande ontem. Quando acordei já tinha mais de cinco chamadas não atendidas de pessoas diferentes, até de Marie tinha, talvez tivesse ficado preocupada. Mordi o lábio sorrindo levemente e fui até à sua casa. Foi ela quem me abriu a porta, tinha um ar cansado e apesar dos seus olhos terem brilhados quando me viu, ela não sorriu.
                -Entra.
                -Eu preciso de falar contigo – disse ao mesmo tempo que ela e eu assenti assim como Marie. Entrei em sua casa tal como me pedira e subi até ao seu quarto, sentando-me na cadeira onde antes tinha adormecido com Mason.
                -Começa tu – mandou ela. Levantei a cabeça para a conseguir olhar e fiz um esforço enorme por sorrir-lhe.
                - Eu não vou pedir desculpas porque…  - baixei o olhar – Eu queria que aquilo tivesse acontecido já à muito tempo. – disse baixinho – mas depois começaste a namorar com ele e… eras e… e és a minha melhor amiga, eu perdi as esperanças todas.
                -Era disso que te queria pedir desculpas – disse ela fazendo-me olha-la – Eu não te posso culpar por tudo. – sentou-se ao meu lado – eu sabia que gostavas dele e mesmo assim meti-me com ele, eu sabia como ele era, todo machão e atrás de raparigas, sabia que eu não era a única na vida dele, mas…
                -Ficaste desiludida comigo – olhei-a – eu sei, eu também fiquei comigo.– disse baixinho.
                -Eu vou perdoar-te Becca – disse ela assentindo. – Mas agora não consigo. – baixei o olhar assentindo ao que ela estava a dizer e encostei-me mais ao banco.  – A minha casa é a tua casa, não precisavas de ter passado a noite fora. – senti o meu telemóvel vibrar no meu bolso, mas olhei para Marie ignorando-o.
                -Eu fico – ela sorriu e abraçou-me durante uns segundos, para se afastar logo.
                -Vou arranjar-me para ir para a escola, tu vais? – perguntou-me. Eu neguei com a cabeça e levantei-me.         
                -Preciso de falar com o teu pai. e com o Jack, acrescentei mentalmente. Ela assentiu e eu sabia que ela estava a morrer para me perguntar o que se passava, porém não o fez e foi arranjar a sua roupa.
Saí do seu quarto e desci até à cozinha, onde estava o pai de Mason a fazer o pequeno-almoço juntamente com a empregada que estava mais atrás.
                -Oh olá Rebecca, queres cereais? – mostrou-me a taça e eu abanei a cabeça.
                -Só preciso de falar consigo, obrigada – ele sorriu-me e apontou para o banco à sua frente, fui-me sentar nele e mordi o lábio.
                - Eu sei quem matou os meus pais – ele endireitou-se ficando mais sério. Contei-lhe tudo, desde o que meu pai fazia, até ao dia de ontem. Jack ia odiar-me, mas eles tinham morto a única coisa que eu tinha e isso eu nunca ia perdoar a ninguém.
                -Tens provas? – perguntou-me o general. Eu abanei a cabeça negando como resposta à sua pergunta.
                -Não, mas o pai do Jack quer o antídoto e já o tem. Se o apanharem é possível… O Jack não vai… – abanei a cabeça só me apercebendo que podia estar a incriminar a pessoa que amava.
                -Ele não tem culpa dos pais que tem, podes estar descansada, se não houver provas em contrário o Jack nem vai pôr os pés em tribunal.-  Respirei fundo de alívio e fechei os olhos passando as mãos pelos mesmos.
                -Por momentos pensei estar maluca – admiti.
                -Eu sei que não é fácil – sorriu-me carinhosamente e eu forcei-me para também o fazer. Jack podia não ir parar à cadeia como o pai e a madrasta e todos os outros que estavam envolvidos nisto, mas ia ficar sem ninguém, provavelmente a sua irmã ia morrer tal como a sua mãe, ele… Fechei os olhos abanando a cabeça. Ele ia odiar-me para sempre.

Agarrei nas minhas coisas e entrei na sala de aula, sentando-me ao lado de Marie. Não conseguia olhar para Jack, que estava mesmo atrás de mim a tentar chamar-me com papelinhos.
                -Deixe a menina Rebecca, Jack, ela chegou atrasada, tem muito que apanhar – disse o professor fazendo com que eu lhe agradecesse mentalmente, mas quando saímos da aula, ele não me deixou passar a porta.
                -Estás a evitar-me por causa da Marie? – perguntou-me com a mala só de um ombro e com uma das suas mãos a tocar-me no queixo para que eu o olhasse, uma coisa que eu tentava não fazer a todo o custo.
                -Jack, eu denunciei o teu pai e a tua madrasta. Desculpa. – disse de rajada e vi os seus olhos castanhos ficarem mais escuros, deixou cair a sua mão e o seu maxilar retesou-se. Eu tinha sido tão directa, talvez demasiado brusca, mas precisava de lhe dizer antes que ele os visse a ser presos e viesse ter comigo.
                -O quê? – perguntou sem acreditar.
                -Eles mataram os meus pais – tentei explicar-me, mas ele já tinha virado costas. Mordi o lábio como se isso fizesse com que o meu queixo parasse de tremer. Tal como tinha pensado ele não me ia perdoar e eu voltava à estaca zero. Tinha Mason e Marie, mas não tinha Jack.


Eu não devia postar, porque pronto.. mas o próximo já está escrito e deve ser o último.

Espero que gostem


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The one - 8

Quarta-feira, 16.01.13

The one  - 8

"Mas eu também gosto de ti. "

Estava em casa de Jack, ele tinha-me levado para lá. Entrámos pelas traseiras porque os seus pais estavam na sala e se o vissem ele estava morto. Pelo que eu sabia, o seu pai preocupava-se com ele, mas sempre que estava com a sua madrasta ao lado ele mudava radicalmente.

-Eu ajudo-te - disse indo buscar a caixa de primeiros socorros a uma das casas de banho e coloquei-a em cima da cama e agarrei num bocado de algodão pegando na água oxigenada para desinfectar. Nunca pensei que Mason tivesse uns punhos tão duros e que provocassem tanto estrago, Jack mal conseguia abrir um olho. Fiz uma ligeira careta enquanto o sentia conter-se para não gritar. - Desculpa - pedi quando fechou os olhos de uma maneira dolorosa. Fui pôr as coisas sujas para lavar e sentei-me na cama descalçando-me para pôr os pés em cima dela até ele agarrar nos meus ombros, massajando-os.

-Desculpa-me a mim - disse Jack ao fiz de algum tempo. Levantei a cabeça encostando o queixo em cima dos joelhos e fiquei a olhar os seus olhos, ou melhor, o seu olho. - Não devia ter-te beijado, muito menos...

Abanei a cabeça antes que dissesse alguma coisa que me magoasse.

-Não estou arrependida por ter retribuído Jack - disse baixinho e ele veio deitar-se ao meu lado, encostando a cabeça ao meu ombro. - Estou arrependida... não sei, só sei que não devia ter acontecido - suspirei encostando a cabeça à sua cama e fechei os olhos.

-Mas aconteceu - disse ele - ela vai ficar chateada no início, mas ela adora-te demasiado para te afastar. - Vi-o olhar-me e sorrir ligeiramente - Ela está sempre a falar de ti, quando não está a falar de moda - revirou os olhos e eu sorri passando a mão pelo seu cabelo.

-O Mason odeia-me - murmurei e acabei por fechar os olhos - mas eu não me consigo arrepender.

-Isso é porque gostas de mim - sorriu ele todo convencido. Olhei para ele com um revirar de olhos e estive mesmo para pregar-lhe um estalo com pouca força, mas não o fiz, ele já tinha levado o suficiente. - Diz lá que não é verdade - agarrou na minha cintura puxando-me mais para ele.

-É verdade, já tinha dito - mordi-lhe o queixo com força e fiz com que ele me largasse.

-Au - queixou-se passando a mão pelo queixo que tinha agora a marca dos meus dentes.

-Não vai acontecer mais nada agora Jack, pelo menos não até eu falar com ela. - vi um brilho de desilusão no seu olho e lá se acabou por afastar. Suspirei aproximando-me eu e abracei-o com força. - Eu gosto mesmo de ti Jack - disse baixinho e senti a sua mão no meu cabelo.

-Vai falar com ela, quero beijar-te e cuidar de ti - sussurrou ao meu ouvido. Não consegui evitar sorrir e abanar a cabeça, apesar de não o repreender, acho que ele agora era a única coisa que eu tinha. Não tinha os meus pais e tinha acabado de perder as duas pessoas mais importantes a seguir a eles.

És mesmo burra Rebecca.

Afastei-me dele depois de lhe dar um beijo na bochecha que estava melhor e levantei-me calçando novamente os meus ténis. Sorri-lhe apenas num jeito de despedida e saí por onde entrei embatendo contra alguém muito mas mesmo muito mais alto que eu. Levantei o olhar vendo que era o pai de Jack e sorri-lhe ligeiramente sem conseguir dizer nada. Depois do que o filho dele me tinha contado eu não conseguia sequer olhar para a cara dele como se fosse uma pessoa normal. Ele assentiu sem grandes floreados e saiu de casa fechando a porta atrás de si indo até ao seu carro. Mordi o lábio respirando fundo. Depois não queriam que eu não desse em maluca?

De casa dele até a casa de Marie ainda era longe, mas eu não me importei de correr, até estava frio e eu estava com roupa de treino, pelo menos aquecia de alguma forma. Quando cheguei passei a mão pelo peito, o meu coração estava a mil e era capaz de o vomitar de tão nervosa que estava. Quando estava a abrir a porta Mason fê-lo por mim.

-Ela está no quarto - disse ele enquanto me olhava.

-Mason...

-Vai ou conto agora - engoli em seco e fiz um esforço para não chorar.

-Desculpa, eu sei que não agi correctamente - disse enquanto olhava os seus olhos, ele tinha que perceber que... O pior era que eu não me sentia mal por o ter beijado, sentia-me mal apenas por ter traído a confiança de Marie, apesar da sua confiança não ser muita.

-Depois falamos Becca - senti uma pontada de esperança quando o ouvi, mas não fiz logo a festa. Entrei em casa deles e subi até ao quarto de Marie, que agora era nosso. Abri a porta e vi-a a ouvir música no computador enquanto estava sentada na cama. Fechei a porta atrás de mim e antes de dizer o que quer que fosse fui mudar de roupa, estava a regelar.

-Desculpa - saltei quando a senti atrás de mim e virei-me para ela. - Por ter falado daquela maneira contigo. - engoli em seco e coloquei o meu cabelo todo de um lado.

-Não - murmurei abanando a cabeça. Eu não conseguia. - Eu... - levantei a cabeça para a olhar e cerrei o maxilar - nós beijamo-nos. - não a consegui ver por momentos porque tudo o que via era turvo. Passei as mãos pelas bochechas quando as lágrimas caíram e voltei a levantar o olhar para conseguir ver a sua reacção. Ela continuava na mesma, a olhar para mim a empalidecer cada vez - desculpa Marie - disse mais baixo - eu não pensei bem...

-Pois não - disse ela engolindo as lágrimas, mas ainda a olhar-me - Isto foi vingança não foi? Por eu saber que gostavas dele e mesmo assim ter consigo chegar até ele. Foi vingança não foi? - falou cada vez mais alto e eu abanei a cabeça olhando para o chão.

-Não, não foi vingança. - limpei as bochechas que já deviam estar vermelhas de tanto limpar.    
Quando voltei a levantar o olhar Marie já não estava à minha frente e a porta do quarto já tinha batido. Respirei fundo e sentei-me num sofá passando a mão pelo meu cabelo. Cinco minutos tinham arruinado a minha vida, mas foram cinco minutos bons. Bati a mim própria por ainda ter sorrido e com suspiro olhei para a porta vendo-a abrir-se. Era Mason, estava cabisbaixo e com os olhos vermelhos.

-Queres falar? - perguntou ele baixinho sentando-se ao meu lado. Fiquei um bocadinho surpreendida por ter parecido tão calmo, a comparar com as outras vezes estava bastante mais calmo.

-Do que queres falar? - falei no mesmo tom que ele brincando com os meus próprios dedos.

-Eu sabia que gostavas dele mas...

-Ela é tua irmã, eu sei - murmurei passando a mão pela dela. - Eu sei que cometi um erro - virei-me para ele - mas desculpa Mason, pelo menos tu. Desculpa.

-Mas eu também gosto de ti - terminou ele. Mordi o lábio enquanto o olhava e deixei a minha cabeça cair no seu ombro.

-Não gostas nada Mason - engoli em seco - Sou a tua melhor amiga, estás a confundir as coisas - abracei-me a ele. Era verdade, eu não acreditava que ele gostava de mim, sempre fomos demasiado amigos para isso. Eu cheguei a um certo ponto que também comecei a pensar que o amava, mas mais tarde descobrira que era só mesmo amizade, estava a acontecer-lhe o mesmo.

-É verdade - defendeu-se ele. Levantei a cabeça para o olhar nos olhos e passei um dedo pelo seu queixo dando-lhe um beijinho na bochecha.

-Acho que devias pensar melhor. Eu sou só a Becca. - mordi o lábio - mas desculpa, eu não quis magoar ninguém. - ouvi apenas silêncio por um bocado.

-Eu sei - sorri levemente agarrando-me a Mason e fechei os olhos tentando descansar.

Quando acordei Mason não estava ao meu lado. Olhei para o quarto e vi um papel em cima da cama, ele tinha ido treinar. Fui ver-me ao espelho e aproveitei para passar a cara por água descendo para a sala onde estava a irmã mais nova de Marie de Mason. Dei-lhe um beijinho na testa e procurei a minha melhor amiga por todos os sítios mais e menos secretos daquela casa para ficar a saber da empregada que ela não estava. Suspirei começando a pensar e a repensar em sítios onde ela pudesse estar e quando me lembrei de um sorri para mim mesma. Avisei que ia sair e assim o fiz começando a ir em direcção ao arranha-céus onde eu e ela brincávamos juntas quando crianças. Os nossos pais apanhavam sustos de morte connosco quando nos apanhavam lá, mas aquilo tinha boas protecções por isso nem mesmo uma medricas com medo de tudo, como eu era, teria medo.
Senti uma dor aguda na minha nuca que me fez agachar com um grito de dor e quando abri os olhos já não via nada a não ser preto.
-Onde é que está o antidoto? – perguntaram-me. Tentei reconhecer a voz que estava a ouvir perto do meu pescoço, eu conhecia-a, mas estava demasiado atordoada.

eu sinto que não ando a escrever nada de jeito.. mas pronto. E não revi, por isso deve estar cheio de erros, desculpem, mas não tive nem tempo nem paciência. E apesar de tudo, espero que gostem..

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The one - 7

Sexta-feira, 04.01.13

The one  - 7

"Não te preocupes, eu tomo conta de ti. "



 

Foi instantâneo, não tive tempo de pensar e mesmo que tivesse… eu queria aquilo há tanto tempo que talvez não o detivesse. As mãos de Jack passaram pela minha cintura e senti o meu corpo completamente colado ao dele, enterrei as minhas mãos nos seus cabelos e puxei-os levemente. Eu acho que tanto eu como ele estávamos a gostar e não conseguíamos parar, mas quando o fizemos eu encostei a minha cabeça ao seu peito. Ele estava a ser tão intenso que eu nem conseguia explicar, quase que conseguia sentir que ele era meu e só meu. Mas não era, ele era da Marie, e de todas as relações que ele já teve a minha melhor amiga era a que estava a durar mais tempo e parecia ser mais sério. Puxei-o pela gola da camisola mais para baixo e voltei a beija-lo.

-A Marie é minha amiga, é a minha melhor amiga – disse contra os seus lábios, ouvi-o abafar uma gargalhada e agarrei-me mais a ele tentando continuar a beija-lo, mas decidi que era melhor parar. – É verdade, conheço-a desde criança – ele começou a fazer-me andar de costas e descer escadas devagar. Consegui sentir os lábios dele no meu pescoço o que fez com que os meus olhos fechassem e eu lhe puxasse mais o cabelo. – Espera Jack. – Afastei-me dele vendo que já não estávamos no ginásio, mas sim no jardim onde eu tinha estado a treinar.

-Diz Becky – pediu ele com um ar meio desanimado, mas aproximou-se novamente agarrando-me pela cintura, descendo pelo rabo até me tocar nas minhas pernas despidas, eu ainda estava com aquele maldito fato de treino curto por causa do treino. Engoli em seco tentando concentrar-me e comecei a abanar a cabeça.

-Não vai acontecer nada – vi-o revirar os olhos e bati-me a mim mesma passando a mão pelo meu cabelo e puxando-o todo para um lado. – Tu és… – tentei pensar num nome que se apropriasse a ele. – És insolente Jack! Tu tens… - falei mais baixo – tu tens uma doença contagiosa e andas com todas as gajas que te aparecem à frente. – ralhei com ele pela primeira vez, como se não tivesse acontecido nada naqueles sete anos e ainda tivéssemos a mesma amizade.

Pela primeira vez vi-o suspirar e abanar a cabeça. – Não é assim, e mesmo que fosse… - vi-o corar e abri muito os olhos à espera de uma resposta – Eu sou virgem.
Não arregales os olhos, não arregales os olhos.

-Isso é fofo acabei por dizer apesar de me apetecer desmaiar ali mesmo. Como é que ele podia ser virgem? Não… estava ali alguma coisa mal. Aliás, estava ali alguma coisa mal em tudo o que ele contava, havia sempre perguntas, ele nunca explicava tudo até ao fim. – Espera… - acabei por dizer – A Marie disse que tinha…

Assim que me ouviu ele abanou a cabeça – Só pode ser mentira, apenas adormeci ao lado dela, mas não aconteceu nada. – engoli em seco ao pensar na hipótese da minha melhor amiga me estar a mentir e fiquei a olha-lo. – Eu estou a falar a  verdade, achas mesmo que ia para a cama com todas sabendo o que sou? Ainda não gostei suficientemente de ninguém e é claro que andaram para aí a dizer coisas, toda a gente me quer – senti-me derreter apesar do seu tom convencido, mas realista, na última parte da frase.

-Isso é tão querido – disse completamente babada e vi-o revirar os olhos mas rapidamente me endireitei com um suspiro. Ela andava a mentir-me, sabe-se lá o que mais fazia. Se bem que, eu não podia falar muito, também andava a beijar o namorado dela. – Nós traímo-la -  murmurei sentindo a minha cabeça encostar-se ao peito de Jack.

-Ela mentiu-te – tentou fazer-me sentir melhor e voltei a sentir a boca dele no meu pescoço. Suspirei tentando controlar-me mas não consegui. Passei a mão pela sua cabeça e puxei-o para me beijar novamente. Ele riu-se fazendo-me deitar depois de me pregar uma rasteira e tocou-me na bochecha quando me olhou – sempre gostei das tuas bochechas – acho que ele já tinha dito aquilo mas não consegui evitar sorrir.

-Eu sempre gostei de ti – disse da boca para fora, apesar de ser a coisa mais verdadeira que tinha até hoje. Passei as pontas dos dedos pela parte de trás do seu pescoço enquanto o olhava e sorri quando voltei a sentir os seus lábios contra os meus. As mãos de Jack subiram a minha perna e foram para baixo dos meus calções.  – Jack – chamei, para virgem era muito safado. Estávamos ao lado do ginásio, pouca gente estava agora por lá, estavam todos nas aulas, mas mesmo assim olhei em volta para ver se nos viam.

-Eu gosto suficientemente de ti Becky, deixa-me por favor – pedinchou perto do meu ouvido, desviei o olhar para ele e fiquei a olha-lo. Gostava? Ia morrer ali.

Eu não podia fazer isto, começava a desesperar, mas ele voltou a passar a língua pelo meu pescoço e eu continuava a derreter-me. Não conseguia resistir-lhe, era tão fraca.

-Deixar-te o quê? – ouvi a voz grossa de Mason, quando ele estava irritado ou nervoso a voz dele era sempre mais adulta que o normal. Congelei durante uns segundos para depois tentar afastar Jack de cima de mim. Quando consegui levantei-me encostando-me à parede de cabeça baixa.

-Não digas à tu..

-À minha irmã? – perguntou ele com aquela voz. Oh meu deus, eu odiava aquela voz para mim, ele estava furioso e eu tão lixada...  - Cala-te – mandou imediatamente assim que abri a boca para tentar falar – Ela conhece-te desde que nasceu Rebecca e tu… - passei as mãos pelas bochechas, a forma como ele estava a falar comigo, a maneira como me tinha chamado Rebecca, eu só fazia porcaria, deixava todos mal, era por isso que morriam. Vi Mason olhar Jack e quando tentei alcançar o braço do primeiro, ele já estava em cima do outro a esmurrar-lhe a cara. - Eu vou matar-te – ouvi-a Mason. Nunca na vida o tinha visto assim – Eu disse-te que gostava dela – disse no mesmo tom, ele só gritava – eu disse para te afastares – fechei os olhos com força e respirei fundo. Precisava de me acalmar e tentar separa-los. Jack estava indefeso visto que Mason lhe estava a bloquear as mãos de se defender com os joelhos. – E tu eras da minha irmã – agarrei nos braços do meu melhor amigo, acho eu.. e consegui afasta-lo encostando a cabeça às suas costas.

-Pára – pedi baixinho com a voz a sumir-se. Fechei os olhos apertando Mason com força. – Desculpa Mason – pedi sentindo-o demasiado parado. Passei novamente as mãos pela cara e dei a volta as lágrimas a cair, mas Jack ainda estava caído no chão e eu precisava de saber como é que ele estava. Engoli em seco olhando para os dois, mas tive que ir a que estava deitado. O sangue escorria-lhe pela cara e um dos seus olhos já estava a ficar negro e inchado.

-Ele é forte – disse Jack sorrindo levemente. Cerrei o maxilar dando-lhe um estalo que o fez queixar-se.

-Cala-te, devias ter-te defendido – resmunguei olhando para Mason que estava na mesma posição e fui novamente ter com ele. – desculpa – pedi baixinho – eu…

-Eu espero até amanhã para lhe dizeres – murmurou ele levantando-se sem sequer me olhar. Estava desesperada, todos me iam odiar depois disto, eu ia passar de uma rapariga que perdeu os pais e da coitadinha para uma puta, principalmente para eles os dois. Quando me tentei levantar já Jack me estava a agarrar pelos braços.

-Não te preocupes, eu tomo conta de ti. - disse Jack ao meu ouvido.

 

Aqui está, desculpem ter demorado tanto tempo.

Ahahahahha e obrigada pelas reações ao post anterior ahahahhaa ^^ aqui está.

Beijinhos.

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The one - 6

Quinta-feira, 20.12.12

Como não quero deixar de postar um capítulo antes do fim do Mundo aqui está mais um.

Desculpem, sei que vem atrasado mas até com as férias não tenho inspiração nenhuma e é por isso que este está uma merdinha apesar de ser um dos mais importantes

Não revi, peço desculpa por possiveis erros ortográficos e é verdade, ainda não aderi ao novo acordo, não consigo.

 

The one  - 6

"Eles estão à tua procura Becky "

 

Penteei o meu cabelo e fiz uma trança que me caía de lado no ombro. Olhei-me o espelho agarrando na minha mala e quando me virei para trás vi Marie.

-Onde é que vais? – perguntou cruzando os braços.

-Ao treino. – disse calçando as minhas sapatilhas.

-Tu não vais ao treino à séculos. – levantou uma sobrancelha o que me fez fazer uma careta.

-Por isso mesmo Marie.

-Isso tudo é para veres o Jack não é? – ela avançou para mim e eu dei um passo para trás. No outro dia Jack tinha-nos trazido para casa no carro dele. Vínhamos todos num silêncio constrangedor que me irritava e que tentava quebrar com música, mas Mason só resmungava que estava com dores de cabeça. Pois, pois devia estar, da forma como tinha bebido devia. Marie ia chateada e completamente enciumada, pensava que tinha acontecido algo entre mim e Jack no quarto, por termos subido os dois, o que não tinha acontecido. Bem… Quase. Aquele momento em que ele me viu praticamente nua ainda me fazia ficar com calores. Ele era tão…
O pior era mesmo ele, Jack apenas conduzia o carro, só se mexia para isso. Depois do que tinha acontecido do disparo tinha ficado assim, eu sabia que ele sabia alguma coisa, o que eu não sabia... era se era tão importante quanto eu pensava que era.

Fiquei a olhar Marie quando ela voltou a avançar, parecia que me queria enfrentar. Devia estar armada em leoa com medo que eu lhe roubasse o pretendente.

-Ele está contigo Marie,  que tu não confias nele está visto, mas vê lá se confias na tua melhor amiga – disse apenas contornando o seu corpo e descendo as escadas. Suspirei quando mais uma pessoa me impediu. – Fala Mason, eu estou com pressa – olhei para as horas vendo que só tinha meia hora. Ele suspirou e abanou a cabeça.

-Deixa, vai lá. – Deu-me espaço para eu passar.
-Estás a pensar no que aconteceu na festa? – Perguntei. Ele andava a evitar-me desde o feriado. Andava todo estranho a inventar desculpas que tinha que ir embora sempre que eu aparecia em algum lugar que ele também estava.
-Não, deixa estar, falamos depois – Ainda o fiquei a olhar mas voltei a olhar para as horas e tive que sair. Fui a pé para a escola e entrei no campo de jogos vendo Jack ao longe também a treinar.

Eu sempre estive na claque, mas comecei a ficar desleixada e desisti. É claro que agora tinha voltado para ficar, precisava de ser eu de novo. Eu tinha um grave problema, não gostava de concorrência, eu era a líder da claque quando desisti e precisava de voltar a ser. Pois, não gostava de concorrência. Eu tinha concorrência em todo o lado no que tocava à minha vida amorosa, mas era só isso. Nenhum rapaz me via como uma líder toda boa como se via na televisão, mas não deixava de ser boa no que fazia. Sorri quando me cumprimentaram e claro, Jasmine não o fez. Ai que loira oxigenada.

O treino começou e eu tive todos os noventa minutos a fazer caretas. Não gostava das músicas, não gostava dos passos, não gostava dos truques, não gostava de nada. O melhor era que ninguém parecia gostar, mas todos a seguiam. Se eu queria fazer alguma coisa por mim, isso ia mudar.
Passei a mão pelo pescoço e fui até ao balneário feminino vendo Jack à minha frente. A equipa também tinha acabado de treinar.

-Estás toda suadinha, o treino anda a ser puxado demais para ti? – riu-se encostando-se à parede. Revirei os olhos com um sorriso. Ele era tão adoravelmente irritante. Tentei acordar com uns beliscões discretos e cruzei os braços.

-Que queres Jackson? – perguntei aproximando-me devagar. Ele endireitou-se já mais sério.

-Quero falar contigo. – levantei uma sobrancelha com a sua voz. Era algo sério, ele não era assim – sobre os teus pais. – também eu me endireitei e passei a mão pela minha trança. Apontei para a porta, ia dizer que ia tomar banho mas ele puxou-me. Entrámos dentro do ginásio e ele puxou-me para eu me sentar nas bancadas.

-Estás a preocupar-me – respirei fundo com o coração a martelar-me no peito. O que é que ele saberia sobre os meus pais? Ele tinha trabalhado com ele mas.. Ouvi-o respirar fundo e passar a mão pelo cabelo.

-Eles estão à tua procura Becky – disse aproximando-se de mim tocando-me com cuidado na trança. Ia para falar mas ele deixou a minha trança em paz e levou um dedo à minha boca. Engoli em seco deixando-o continuar – Os homens que mataram o teu pai… - ele abanou a cabeça e levou as mãos lá – eu não te posso contar isto – vi as mãos dele a tremerem e arregalei os olhos pegando numa delas.

-Fala Jack, começaste, acabas. – disse apenas apertando-lhe a mão – por favor.

Vi-o levantar o olhar e senti a sua mão apertar a minha ainda meio aos tremeliques. Depois de colocar a outra em cima das duas ele respirou fundo e olhou-me.

-Os meus pais mataram os teus – disse de rajada e eu só não cambaleei por estar sentada porque senti uma tontura que me fez revirar os olhos. Ele apertou-me a mão com mais força e chegou-se mais para mim – e a minha mãe morreu por causa dos teus.

-Hã...? – tentei raciocinar apesar de não ter a certeza se estava a ouvir tudo bem. Abanei a cabeça fechando os olhos e sustive a respiração.

-A minha mãe tinha HIV. Não tinha o vírus activo ia regularmente ao médico e tomava um monte de porcarias, tal como eu. –Vi-o baixar o olhar para as nossas mãos e fiz o mesmo sentindo uma festinha. Expeli todo o ar que tinha nos pulmões com o coração a querer rebentar e larguei as mãos dele. Foi mais um impulso que outra coisa, mas agarrei-me mais a ele como se o fosse perder a qualquer momento. Jack apenas continuou não parecendo ficar importado com a minha reacção, mas eu sabia que tinha que ter mais calma. – Eu nasci assim.. Ahm… O teu pai naquela época em que nos dávamos bem ficou a conhecer da situação da minha mãe, porque ela contou-lhe – eu assenti e vi-o fechar os olhos – Pelos vistos ele ficou muito empolgado porque trabalhava nessa área e acreditava que tinha descoberto uma cura. Testou-a em ratos, em todo o tipo de animais – consegui ver uma ponta de raiva nos olhos de Jack pelo meu pai, o que me fez baixar o olhar – e depois, como tudo resultava com eles, ou pelo menos parecia resultar pediu à minha mãe para ser a primeira cobaia dele. – engoli em seco subindo o olhar para ele e vi-o cerrar o maxilar. – Ela era tão burra – murmurou abanando a cabeça. Aproximei-me ligeiramente dele e toquei-lhe na bochecha por onde descia uma lágrima que ele também se apressou a tentar limpar.

-As experiências do meu pai mataram-na. – concluí e ele assentiu.

-Primeiro foi um sucesso – continuou quando recuperou – eu lembro-me de ouvir os meus pais falarem na sala que eu ia ter um futuro mais feliz e que não ia ter ligar com porcarias deste género – atirou-me para as mãos uma caixa que eu abri. Havia três tipos de comprimidos, eram de três formas diferentes, um azul, um amarelo e outro verde.  – A minha mãe chegou a tomar quarenta por dia - pressionou um lábio no outro e guardou novamente a caixa – ainda bem que cientistas melhores que o teu pai conseguiram reduzir.

Endireitei-me no banco e encostei-me ao encosto da bancada olhando para as minhas mãos já sem as dele.  – O que é que aconteceu depois do sucesso? – perguntei baixinho.

-Ela piorou e.. o vírus que estava inactivo passou a estar activo – engoli em seco – Ela morreu de pneumonia.
Subi o olhar para ele e abri a boca para lhe pedir desculpas mas ele não deixou.

-Não tens culpa Becky – sorriu-me agarrando-me numa mão e deu-me um beijinho na mesma.

-Fizeste-me sentir como se tivesse – disse engolindo as lágrimas e vi o seu sorriso desaparecer – eu sempre conheci o Mason e a Marie mas naquela altura eu não precisava só deles e eu sabia que também precisavas de mim – olhei-o – tratavas-me mal todas as vezes que tentava falar contigo – levantei-me e fiz com que ele me largasse a mão. Respirei fundo virando costas e passei a mão pelo meu cabelo tirando a trança. – Eu não vou trazer recordações dessas do passado, não quero estar chateada contigo – virei-me de novo para ele e embati com a cabeça no seu peito – mas precisas de me dizer a verdade  - continuei levantando a cabeça para o olhar e já só o vi a assentir e aproximar-se demasiado.

 

E agora? Beijinho ou nem por isso?

Desculpemmmm eu sei que está uma merdinha, desculpem.

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The one - 5

Sábado, 08.12.12

Está uma merdinha, eu sei, desculpem.

Não sei se o video vai dar, já não sei trabalhar nisto. Por isso, está aqui http://www.youtube.com/watch?v=N_u7P75zjf4

 

The one  - 5

"Eu já tomei banho contigo, pára de corar "

 

 


Fui atrás deles quando abriram a porta para a sala e novamente  ouvi gritos com o nome dele. Até a mim me apetecia gritar, mas era por outra coisa. Fiz um esforço para não revirar os olhos e cruzei os braços enquanto ia ao lado de Marie. Não andava a gostar de certas atitudes dela, mas não me apetecia discutir, ia deixar isso para depois, quando tudo estivesse mais calmo. Não sei bem quando.. mas ia fazer assim. Ele sentou-se numa cadeira com a guitarra e toda a gente o rodeou incluindo nós as duas que ficámos mesmo à frente dele.

-Canta, canta, canta… - começaram às palmas para que ele começasse. Ele riu-se e abanou a cabeça, levantou o olhar para nós as duas pensando e acabou por sorrir alguns segundos depois começando a tocar apenas. Aquela música… estive mesmo para sair dali a correr se Marie  não se tivesse encostado a mim enquanto me agarrava o braço. Aquela música tinha tanto significado para ele, desde pequeno. Era estranho reconhecer algumas coisas nele e já ter passado tanto tempo. Ele às vezes parecia que continuava igual, outra vezes parecia que tinha mudado completamente.

 Mason apareceu ao meu lado e eu forcei-me a olha-lo,  ele sorriu-me como se não tivesse acontecido nada. Das duas uma, ou pensava que não fazia mal ou então tinha esquecido. Talvez ele tivesse esquecido, oh vá lá… Forcei-me a esquecer também e sorri-lhe levemente.  
Assim que Jack começou a cantar todos se calaram e eu derreti-me. Eu já o tinha ouvido cantar antes, ele era mesmo bom. Quer dizer ele era bom em todos os sentidos, mas a cantar então… Mordi o lábio quando ele subiu o olhar para nós as duas e tentei controlar-me para não fazer nada do que me arrepende-se, ia ficar ali até ele acabar por mais do que ele me trocasse os sentimentos todos. Tanto estava com vontade de lhe saltar para cima, como de sair dali e nunca mais o ver à minha frente.

-Ele é bom – ouvi Mason. Assenti com a cabeça não conseguindo desviar o olhar de jack para ele.
-Pois é – disse Marie por mim com um sorriso, não a estava a ver mas quase que podia sentir. Cada vez tinha mais a certezas que ela gostava dele, e que para mim estava tudo perdido. Aliás, eu nem sabia porque é que continuava a tentar.  Meu deus, a minha cabeça era uma confusão, eu tinha que me situar.
E aquela música… Ai, aquela música.
Quando dei por mim, a música tinha acabado, ele já tinha acabado e já toda a gente tinha dispersado com um bater de palmas. Marie estava agarrada a ele e Mason olhava-me discretamente. Virei as costas a todos para ir de novo para a cozinha, sem dúvida que não devia ter saído, cada vez parecia mais louca. Senti uma coisa molhada directamente na minha barriga e soltei um gritinho. Suspirei nem me dando ao trabalho de ver quem tinha sido o génio que tinha vindo contra mim e subi directamente até ao quarto de alguém para ir a uma casa de banho. Claro, sortes das sortes era o dele. Olhei em volta tentando descobrir diferenças. Claro que existia, os cartazes de bonecos tinham sido substituídos por jogadores, mulheres, fotos com amigos, amigas, namoradas, fotos dele sozinho mas.. uma das paredes era dedicada à mãe. Ele sabia o que se passava comigo, talvez fosse a única pessoa que me conseguisse ajudar neste momento. Mas só talvez.
Despertei  indo até à casa de banho dele, que estava desarrumada em contraste com o seu quarto, mas não fiz cerimónia e despi o vestido olhando para a mancha, ele podia ser florido mas notava-se bastante. Fiz uma careta limpando com uma toalha a minha barriga que estava meia pegajosa.

-Que nojo – resmunguei passando-a por água e fazendo o mesmo ao tecido. Ouvi uma porta a abrir-se e paralizei.
-Precisas de ajuda? – ouvi Jack. Arregalei os olhos e coloquei o vestido à minha frente para me tapar minimamente. Virei-me para ele e abanei a cabeça convictamente.
-Desculpa, sujei-me e… - ele aproximou-se e agarrou no meu vestido não se importando com o facto de eu estar quase nua à sua frente.
-Eu já tomei banho contigo, pára de corar – passei as mãos pelas minhas bochechas e soltei um sorrisinho - Vai ao quarto da minha irmã ela deve ter lá algum vestido que te sirva – disse. Subi o olhar para os olhos castanhos dele e mordi o lábio assentindo. Continuava a acha-lo perfeito, apesar de tão estúpido. Quando estava a dar-lhe a volta para ir até ao quarto da irmã dele, ele não me deixou. - Vais nua pelo corredor? – perguntou-me rindo, eu olhei para baixo e soltei novamente os meus risinhos estúpidos. Não existe um buraco aqui perto para eu me enfiar?
-Eu gostei de te ouvir cantar – disse-lhe do nada enquanto vestia o meu vestido, depois de ele mo ter passado para as mãos.
-Já não cantava há muito tempo.
-Porquê? – ele encolheu os ombros e aproximou-se um bocadinho mais.
-Faz-me lembrar a minha mãe – olhei-o com um pequeno sorriso e perguntava-me se ele falava com sobre a mão com alguém. Coloquei-me em bico dos pés e abracei-me ao seu pescoço. Já devia ter feito aquilo quando ela morreu.
-Às vezes é bom  lembrar – murmurei e vi-o assentir.
-Eu sei – disse rodeando a minha cintura e levantou ligeiramente a cabeça até encosta-la à minha. Fiquei a olha-lo pronta para fazer a maior parvoíce da minha vida, mas um estrondo ecoou pela casa toda e a música deixou de se ouvir. Não sabia se devia estar irritada ou com medo, porque mal ouviu o barulho ele largou-me olhando em volta. Olhou para mim meio pálido quando os gritos começaram a ecoar pela casa toda. Fui até à janela mas ele não me deixou aproximar mais do que dois passos.
-Vamos para a cozinha – disse apenas.
-O que é que foi isto? – perguntei. Ele parecia saber de algo, se ele sabia eu precisava que ele me contasse. Eu estava farta de coisas deste género. Não aguentava tanto num semana. Mas ele nem mesmo assim me respondeu, apenas me puxou pela mão escadas a baixo. A sala estava vazia, todos tinham corrido para o exterior e já não se ouvia nada, tinham fugido.
-Vai para a cozinha – disse ele largando-me de novo.
-Não – abanei a cabeça com o coração aos pulos.
-Vai Beckie – pediu aproximando-se – deve ter sido a polícia e eles ficaram assustados – disse beijando-me a testa – anda. –  murmurou agarrando-me na mão e levou-me até lá fechando a porta antes que eu o puxasse também para dentro. Marie e Mason  olharam-me, eram os únicos que estavam lá.
-O que é que se passa? – perguntei sentando-me à frente deles. – vocês viram alguma coisa? -Marie estava de braços cruzados a olhar para os pés. Não conseguia obter nenhuma resposta nela pela sua expressão.
-Eu vi-te a subir e ele a ir atrás de ti logo depois, foi isso que eu vi – falou num tom zangado. Juntei as minhas sobrancelhas e aproximei-me de Mason. Talvez não devesse deixar a nossa discussão para mais tarde, mas sim no fim desta noite.
-Viste alguma coisa? – perguntei. Ele abanou a cabeça apesar de ter a mesma expressão que a irmã.
-Depois das janelas se partirem com um disparo vindo de fora saíram todos a correr, em minutos já não havia ninguém. – encolheu os ombros sentando-se ao lado de Marie no balcão – Mas ninguém se deve ter magoado.  
Disparar? O quê? Eu queria sair deste filme, o que é que se passava afinal?  Passei as mãos pela cara e saltei da cadeira quando se ouviu outro estrondo, respirando de alívio quando percebi que era apenas Jack a entrar e a fechar a porta
-Está tudo bem, a polícia já está aí – disse engolindo em seco. Passava-se alguma coisa, eu sabia que sim e queria saber.
-Mas o que é que aconteceu? – perguntei indo até ele, sentindo logo o olhar de Marie postos em mim.  Ele apenas abanou a cabeça e foi-se sentar na minha cadeira.

 

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The one - 4

Segunda-feira, 19.11.12

The one  - 4

"Ele beija mal?"

 

 

 

Estava com Camilla no cacifo, quando Jack se colocou à frente do meu, sendo seguido de Mason que se desequilibrou fazendo Jack quase cair. Levantei as sobrancelhas e ambos me sorriram.

-O que é que se passa? - perguntei.

-Amanhã é feriado - começou Mason com uma voz amuada olhando de lado para o outro. Jack recompôs-se e olhou-me.

-E quê? - perguntei com um suspiro.

-E hoje eu vou fazer uma festa, o meu pai e a minha mãe - a Madrasta - vão estar fora - disse cruzando os braços fazendo-me olhar para os músculos dos mesmos. Eu ainda ia morrer. Suspirei, desta vez porque ele era mesmo bonito e ouvi-o continuar a falar, despertando - foram de fim-de-semana prolongado - acrescentou.

-A minha mãe morreu à três di.. - Mason interrompeu-me.

-Tens alguma coisa melhor para fazer? Não pois não? Então, vai ter com a Marie e arranja-te - disse ele muito autoritário fazendo-me sorrir. A sério, só eles. Mal não me ia fazer e podia ser que me distraísse. É claro que não podia dizer que não estava triste, mas de alguma forma a morte da minha mãe não me tinha afectado tanto como aconteceu ao meu pai.

-Estás bem?  - perguntou Jack por eu estar tanto tempo calada com o olhar fixo nele. Assenti com um sorriso e ele continuou - Então vais não é? Ando a programar isto desde... desde a semana passada mas isso não interessa, tu vens e pronto - disse muito tão decidido quanto Mason. Ele estava tão diferente comigo desde aquele dia, para melhor, nós deixamo-nos de falar por coisas estúpidas e irrelevantes, eu era apenas uma rapariga demasiado orgulhosa para dar o braço a torcer e ele um rapaz demasiado maniento e cheio de raparigas para parecer que se importa.

-Sim, eu vou, mas não exagerem - Mason e Jack entreolharam-se e riram-se. Marie chegou do nada aparecendo à frente deles.

-Vamos ter festa hoje - disse levantando uma mão quase aos saltinhos. - Como é que vai ser Jack? - perguntou-lhe virando-se para ele. Revirei os olhos só de imaginar como é que ia ser o ambiente. Todas as festas eram iguais, era impossível, mas no fundo eu até estava empolgada.

-Anda ali que eu mostro-te - Jack fez um sorriso maroto agarrando na cintura de Marie e praticamente e puxou dali para fora. Mason ficou a olha-los e encolheu os ombros quando desapareceram do nosso campo de visão. Tentei ignorar o quanto aquilo me afectava e olhei o meu melhor amigo.

-Não gostas mesmo nada dele, pois não? - perguntei.

-Ele é fixe quando quer - acabou por dizer depois de parecer ter pensado uns cinco minutos. Voltou a encolher os ombros e abraçou-me -  Vais fazer o furor que fazias antes miúda - disse a rir-se.

 

Já estava em casa dos James, não tinha tido coragem de ir à minha buscar um vestido qualquer, mas decidi que amanhã iria. Marie estava à minha frente com dois vestidos novos que tinha para mim e atrás dela havia outros dois, também novos, para ela escolher.

-Eu gosto do preto - disse-lhe sentada na cama com as pernas à chinês. Ela abanou a cabeça - Não, já chega de preto para ti - resmungou dando-me um vestido verde rendado - Vá, veste isso, combina com os teus olhos.

Revirei os olhos e fui vestir o vestido para a casa de banho colocando apenas alguma maquilhagem não muito carregada para tapar algumas imperfeições. Marie foi depois de mim e fez questão de  me esticar ainda mais o cabelo e puxa-lo  para trás fazendo-me uma trança indiana.

-Marie, as minhas bochechas... 

-Não quero saber, ficas engraçada, toda a gente adora as tuas bochechas gordinhas. - Revirei os olhos mas ela ignorou virando-me para o espelho. Elas estavam todas sobressaídas, só me apetecia tirar aquilo do cabelo e deixa-lo natural - Nem penses, - disse como se me lesse os pensamentos - tens que estar linda - disse - vais mostrar às pessoas que estás de volta, não importa o tempo que passou, percebeste? - perguntou ela olhando para o espelho e eu fiz o mesmo assentindo. Ela tinha razão, eu tinha que voltar, mas isso não me impedia de tentar descobrir quem é que tinha feito aquilo aos meus pais.

Ajudei-a a vestir-se fazendo-lhe uma trancinha igual à minha no cabelo, apesar de ela o ter mais pequenino. Quando estávamos prontas, ambas pegámos nas nossas malas descendo até à sala onde já estava Mason impaciente e à nossa espera. 

-Daqui a pouco era Natal e eu aqui à espera, estou a morrer de fome, vamos lá - disse todo resmungão. Ri-me passando a mão pelo seu ombro.

-Não nos querias bonitas? - perguntei apesar de hoje estar a sentir que devia enfiar a cara num buraco. Ele sorriu e tocou-me nas bochechas apertando-as - Pára de fazer isso - reclamei. 

Acho que pela primeira vez estava a esquecer tudo e já conseguia ser parecida à Rebecca de antes. Saí do carro com os meus saltos altos gigantes e fui ter com Marie olhando para a mansão de Jack. Já estava lá pelo menos metade da escola e às horas que eram duvidava que não aparecesse a outra metade juntamente com mais pessoas desconhecidas. Jack apareceu assim que nós entrámos.

-Finalmente! Venham para a cozinha, guardei o melhor para vocês - disse fazendo um trejeito com a cabeça para o seguirmos e assim o fizemos. Ele estava tão.. a camisola branca dele estava toda justinha ao corpo e as calças escuras estavam um pouco descaídas, mas apenas um pouco, não estavam exageradas. Ele era tão perfeito e tão nada meu. E ainda bem, não sabia se a querer que ele fosse meu, pelo menos não queria ser por aí comentada que tinha cornos ou algo do género.
Quando chegámos à cozinha, onde não estava ninguém, vimos uma taça repleta de morangos. - Eles são tão bons - disse já meio alterado. Levantei as sobrancelhas começando a rir-me e tirei um. E..

-Jack - passei a mão pela minha barriga enquanto me ria - tu enganaste-te, era suposto pôr açúcar, não vodka aqui dentro.

-Ela é esperta - disse abanando a cabeça enquanto apontava para mim. Todos nos rimos e a porta abriu-se. Era uma rapariga ainda mais baixa que eu, ou então não, porque eu estava de saltos e ela não, que se agarrou ao braço do Jack. Olhei Marie que fazia uma cara estranha a aproximar-se deles.

-Olá pessoas - disse a miúda antes de perceber que estava em apuros.

-Desculpa? Podes largar o meu namorado? - perguntou ela calmamente. 

-Ele não é teu namorado - disse quase a saltar para cima dele, vi-o a arregalar os olhos enquanto comia o morango dele como se nada estivesse a acontecer.

-É sim, larga-o sua pita desgrenhada, eu vou matar-te - gritou Marie e só vi a gaja atirar-se para cima dela fazendo as duas caírem. Arregalei os olhos, tal como os dois rapazes. Eles queriam que eu voltasse a  ser eu não era?
Respirei fundo e fui ter com as duas agarrando no cabelo da gaja loira e puxando-o para trás.

-Tu não te atrevas a tocar nem num cabelo da Marie, ouviste? - disse com ela já a chorar. Assim que a larguei ela foi-se embora e Jack começou a rir. Eu nem lhe liguei, tanta merda só por causa dele, mas o que é que ele tinha? Nem era assim tão... ai era, era. Era todo perfeitinho. Fechei os olhos passando a mão pelo cabelo para ver se ainda estava alguma coisa de jeito e endireitei-me.

Marie estava meio atordoada e quando viu Jack a rir-se saiu. Ainda fui para ir atrás dela, mas primeiro, ela precisava de descarregar a raiva dela. Fui ter com Mason e vi-o a rir-se de Jack. 

-Vamos dançar pessoas, já chega de morangos dos chinês - disse o meu melhor amigo agarrando-me na mão e puxando-nos para a sala que estava arranjada de modo a todos pudermos dançar sem andar às cotoveladas uns dos outros.
Jack não parava de me dar bebidas e Mason fazia o mesmo, eu sabia muito bem o que eles queriam, mas mesmo assim não evitava beber. Uma vez não me fazia mal.

-Eu estou a ir por caminhos errados - disse a Mason do nada. Ele riu-se e encostou a cabeça ao meu ombro.

-Porquê Becca? – levantei o olhar para os dela e sorri

-Porque estou a beber para esquecer - respondi-lhe sentindo as mãos de Mason a apertarem a minha cintura fazendo-me ficar colada a ele.

-Não estás nada, estás a beber para te divertir, como todos.

-Não precisamos de beber para nos divertir-mos - ri-me beijando-lhe a bochecha, mas ele desviou a cara e acabei por dar muito ao de leve nos seus lábios. Afastei-me apenas uns milímetros com o coração aos pulinhos, mas ele aproximou-se devagarinho com uma mão na minha bochecha e os meus reflexos estavam tão baixos que eu nem me afastei a tempo de evitar que ele me beijasse.

Afastei-me ainda meio atordoada e saí dali deixando-o sozinho, o que me ia arrepender, mas eu sentia-me em choque. Nunca na minha vida tinha pensado beijar Mason, ele era um irmão para mim. Um irmão que nunca tinha tido, agora que o tinha feito, apetecia-me vomitar. Tirei a minha trança passando a mão pelos meus cabelos para os deixar soltos e Jack apareceu-me à frente.
-Oh meu deus parem de me aparecer à frente - queixei-me levando as mãos aos olhos. Ouvi-o a rir e levantei o olhar para ele quando me puxou o queixo para o olhar.
-Não faças essa cara ruivinha.  – Marie agarrou-me no braço e puxou-me para a cozinha. Sentei-me na cadeira de olhos arregalados. Isto estava de loucos e eu estava bêbada e… estava tudo demasiado hilariante dentro da minha cabeça, apesar de não me apetecer rir. Pelo contrário, apetecia gritar com tanta coisa.
-O teu irmão beijou-me – Marie estava a olhar para mim porque percebeu que eu estava a ficar maluquinha, mas o que eu disse fez com que ela arregalasse os olhos e começasse aos saltinhos.
-Oh meu deus – guinchou levando as mãos à boca. Abanei a cabeça ainda em choque.

-Que nojo – murmurei. Ela fez uma cara séria muito rapidamente e aproximou-se.

-Ele beija mal? – perguntou baixinho como se fosse uma vergonha e com os olhos muito arregalados. Eu abanei a cabeça com o olhar fixo nas minhas mãos durante algum tempo.

-Não, pelo contrário ele beija mesmo bem, não sei porque é que não tem mais namoradas – ela e eu rimo-nos.  O choque já me estava a passar, a parte pior era enfrentar Mason quando o visse. Que vergonha, pelo menos podíamos usar a desculpa da bebida.

-É o Jack não é? – perguntou com um suspiro e sentou-se à minha frente tirando um morango já quase desfeito em álcool, mas mesmo assim ela comeu-o. Eu apenas assenti e ela encolheu os ombros arrastando uma cadeira e sentando-me à minha frente.

-Esquece, ele não é rapaz para ti, nem para ti nem para ninguém – eu continuava sem perceber porque é que ela dizia isto do seu próprio namorado, mas também não tive tempo de perguntar porque a porta abriu-se e fechou-se de repente.

-Shiiiiu – mandou Jack encostado à porta de olhos arregalados - Eles querem que eu cante, eu não vou cantar. Não vou mesmo!

-Vai lá, tu cantas bem – disse Marie com um sorriso. Começava a achar que ela gostava mesmo dele, não sei… se isso acontecesse... não, pela maneira como falava dele não gostava de certeza.  – Canta para mim – saltou da cadeira e atirou-se a ele com um beijo na bochecha. Ou não sei..  – Cantas?

Ele fez-lhe olhinhos para que não lhe fizesse aquilo, mas ela continuou com o seu sorriso, nunca ninguém lhe dizia não. A não ser eu.

-Está bem eu canto – acabou por ceder com uma cara amuada, levantei-me para tirar os sapatos e ele olhou-me. – Para ti também, só faço pelas duas. – disse apontando para nós.

 

Desculpem a demora, o meu tempo ficou apertadinho.

E desculpem a apresentação disto, amanhã eu arranjo-a melhor

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The one - 3

Quarta-feira, 14.11.12


The one - 3 
" Sorri, és uma espécie procurada"

Becky -esquerda- e Marie - direita-



Mason estava ao meu lado a agarrar-me a mão com os olhos vermelhos, Jack estava do meu outro lado, apenas a olhar para as suas mãos enquanto Marie chorava mais do que eu, andando de um lado para o outro. O pai dela era detective, também estava lá, mas não veio falar connosco apenas ligou à mulher e fechou-se com outros no quarto da minha mãe.

-Estás bem? - perguntou Mason. Mordi o lábio para não responder mal e apenas assenti com a cabeça.

Já tinha falado com os detectives, a morte do meu pai já estava a ser investigada porque tinha sido estranha demais, pelo menos sendo ele quem é. Apesar disso, Garrison James, o pai de Marie James e de Mason James era muito amigo dele e ele próprio tinha dito à minha mãe que não ia descansar enquanto não soubesse o que se tinha realmente passado.

Não me deixavam entrar no quarto para estar com ela. Eu também não sabia se queria mesmo, estava demasiado chateada com tudo. Já tinha perdido o meu pai, os meus avós, porque é que agora tinha que ficar sozinha? Eu nem irmão mais velho tinha para cuidar de mim e sentia-me cada vez mais necessitada em relação a isso. Apesar de ter amigos, que agora me apoiavam, era como se não estivesse. Só esperava não estar a ser ingrata com eles, não queria mesmo magoa-los e perde-los também.

Limpei a cara novamente e cerrei o maxilar para parar de chorar, olhei Marie que agora estava sentada à minha frente, em cima da minha mesa de centro inclinada para mim. Se ela parecia uma lástima, eu não queria sequer imaginar como é que eu estava. Já tinha ido horrível para o bar para encontrar Jack e agora que ele estava mesmo ao meu lado estava cada vez pior. Que bela imagem com que ele ficava de mim.

-A minha mãe está a vir, vais ficar connosco, não quero que fiques aqui, ainda por cima com esta gente toda não vais conseguir descansar. - Abanei a cabeça porque queria ficar. - Não discutas comigo Becca, está decidido por  mim e pela minha mãe, aliás por todos – disse com um tom persistente seguido de um suspiro. Eu decidi que não queria discutir com ela, eu era casmurra, mas ela também e agora não me sentia em condições para ser também.
Jackson levantou-se e Marie olhou-o levantando-se depois também.

-É melhor eu ir embora, falamos amanhã. - deu-lhe um beijinho leve nos lábios, fazendo-me desviar o olhar, e um na minha testa. - Não estás sozinha Becky  - sorriu-me. Eu assenti e vi-o a ir embora. Ele percebia-me. Eu sabia que sim. Ele sempre tinha sido um menino da mamã, mas infelizmente ela tinha morrido cedo demais, ainda não sabia porquê e ele também não falava do assunto, mas ela tinha ficado muito doente quase de um momento para o outro, ou então talvez tenha sido a minha mentalidade de criança que não sabia ainda diferenciar o tempo. Enfim, ele era órfão de mãe e praticamente de pai, porque esse só lhe dava comida e dinheiro, mais nada. Ele só tinha doze anos, talvez a situação dele tenha disso pior que a minha. Não sei. Nessa altura eu ainda falava com ele, éramos super amigos, mas depois decidi-me afastar visto que decidiu deixar de ser querido para ser um parvo que andava atrás de todos os rabos de saias que lhe apareciam à frente. As hormonas fazem disto. Talvez eu sempre tenha gostado dele, não sei bem, era demasiado criança para distinguir se havia amor ou não.

Entretanto a mãe de Mason e Marie chegou, levantei-me recebendo um abraço dela. Anne estava tal e qual a filha. O cabelo loiro dela estava todo desengaçado e os olhos castanhos como de Marie deitavam lágrimas a todos os segundos. Sentia-me estranha, não conseguia estar como elas, quando tinha sido com o meu pai, só chorava e soluçava pelos cantos, mas agora não. Acho que estava a sentir-me mais irritada e injustiçada do que outra coisa.
No caminho fomos todos calados e ainda bem, não queria falar. Em casa, deram-me roupa mais confortável, mas não mais quente que a minha, um chá e um comprimido para eu dormir. Marie deitou-se na sua cama com um suspiro e deu-me uma almofada para eu me deitar ao seu lado, assim o fiz encostando-me a ela. Ela estava tão cansada que nem teve tempo de dizer nada, mas eu não consegui dormir, nem mesmo com o efeito dos compridos ou quando fechei os olhos.


Sem eu reparar passaram-se dois dias, o fim-de-semana tinha acabado e tinha que passar por uma nova e tortuosa semana. Não queria, mas tinha que ser precisava de passar este ano a todo o custo e ele já ia a meio. No início do primeiro período tinha morrido o meu pai e as minhas notas tinham descido a pique, agora estavam mais ou menos ao mesmo nível que o ano passado, mas tinha medo que acontecesse o mesmo.

-Estás acordada Becca? -  ouvi Marie quando acordou sentindo a cama mexer-se. Abri os olhos para ver não só ela, mas também Mason. Os comprimidos que Anne James me dava não me ajudavam de todo a dormir, deixavam-me atordoada e dormente, não conseguia pensar muito e detestava sentir-me assim, fazia-me lembrar de como a minha mãe ficava com os antidepressivos, mas ela dormia, eu não.

-Sim? - perguntei olhando-os com os olhos novamente meio fechados.

-A minha mãe está a chamar-nos para tomar o pequeno-almoço, tu não vais à escola pois não? - perguntou-me Mason baixinho porque pensava que eu estava quase a adormecer outra vez, coisa que não ia acontecer.

-Claro que vou - disse sentando-me e passei as mãos pelos olhos e cabelos puxando-os para trás - Tenho-me que ocupar - eu não podia ir a baixo porque se fosse, acabava como ela, ela já andava mais morta do que viva. A verdade, é que preferia matar a pessoa que tinha feito tudo isto a ir a baixo, mas primeiro tinha que saber porquê. Aos jantares, Garrison tinha falado um pouco sobre o caso, ele acreditava que havia uma interligação e que não tinha sido apenas um mero assalto. Não tinham levado nada, apenas a tinha morto, por isso sim, eu acreditava.

-Estás bem? - Marie voltou a fazer a mesma pergunta de sempre e eu já estava pelos cabelos com isso. Já antes tinha sido a mesma coisa, todos os dias a mesma pergunta.

-Parem de me perguntar isso, não tenho motivos para estar, claro que não estou bem! - engoli em seco quando a vi baixar o olhar e Mason a suspirar. Não os queria magoar e sentia que quanto mais abria a boca pior fazia.

-Pronto, vem tomar o pequeno-almoço connosco- disse ele levantando-se e indo até à porta. O telemóvel de Marie tocou e ela atendeu saindo do quarto. Fui até à casa de banho e vesti uma roupa de Marie, por acaso isso agradava-me, eu gostava da minha roupa, mas tinha perdido o apetite de ir às compras. Vestir roupa que usualmente não vestia agradava-me.

Quando estava pronta Mason deu-me a mão e descemos juntos até à sala de jantar, onde estava a sua família, menos Margaret a irmãzinha mais nova, que estava doente e provavelmente dormia no seu quarto.  A empregada colocou um prato a mais para mim e serviu-me.

-Eu não sou incapaz, obrigada - sorri-lhe tentando não ser mal-educada, ela pareceu perceber-me e afastou-se. Comecei a servir-me com leite e cereais comendo um pouco enquanto sentia todos os olhares presos em mim.

-Já descobriram alguma pista? – todos os dias perguntava isto a Garrison, Anne teve que se levantar pedindo desculpas visto que tinha uma emergência no hospital.

-Não – suspirou – a polícia não acredita que haja ligação entre as duas mortes e não nos deixa vasculhar a casa. E como tu és menor, não te posso pedir isso, eles iam desprezar uma assinatura de uma menor.

-Até a da órfã? – perguntei mordendo o lábio, detestava dizer aquilo, mas era verdade, eu estava órfã.

-Sim, lamento Rebecca – abanei a cabeça com um suspiro.

Marie, que entretanto já estava na mesa ouviu a porta e desatou a correr para ela, aparecendo mais tarde com Jackson. Uau.. ele já ia a casa e tudo. Talvez Marie estivesse errada e ele gostasse mesmo dela, era um sentimento horrível porque ela era a minha melhor amiga, mas eu detestava vê-los juntos, tinha um inveja enorme.

-Também vais? - perguntou meio admirado por me ver ali. Marie olhou para o pai que analisava o rapaz.

-Este é o Jack – disse mordendo o lábio apertando o braço dele. Olhei para os cereais que ainda tinha na taça.

-Bom dia – disse ele, Garrinson levantou o queixo como se o cumprimentasse e recomeçou a comer com um olhar crítico sobre ele.

-Vou - disse apenas quando todos se calaram. Levantei-me indo ao quarto de Marie buscar umas folhas e uma mala dela, já que tinha as minhas coisas em casa e ainda não tinha lá ido. Coloquei a mala ao ombro e fui ter com eles, que já estavam todos à minha espera.

Não consegui evitar um suspiro quando lá cheguei, não tinha muita paciência para aturar certos comentários que já tinha deixado de ouvir há pouco tempo. Quando o escândalo da morte de meu pai cessou tinha sido um alívio.  Senti um braço por cima dos meus ombros e não me afastei por saber que era Mason, pelo contrário até sorri um bocado dando-lhe um beijo na bochecha.

A coisa boa na casa dos irmãos era que podíamos ir a pé para a escola, eu gostava, detestava andar de metro em New York, preferia gastar balúrdios em táxis para ir só para a escola. O meu pai é que me tinha habituado mal, ele ia sempre levar-me e quando não conseguia chamava um táxi, porque tinha medo que me acontecesse alguma coisa.
O liceu onde eu andava era o melhor, mas apenas em qualidade de professores e instalações, porque as pessoas eram mesquinhas, adoravam criar problemas a outros para serem conhecidas, ou para ficarem bem vistas no meio da sujidade delas. Mason tinha tido vários problemas no primeiro ano dele, ele e Marie não eram muito conhecidos na zona e tudo levava a olhares maldosos. Comigo nunca ninguém se tinha metido, todos sabiam que não valia a pena, eu acho que eles até tinham pena. Eu não sou uma pessoa mesquinha, mas sou conhecida, talvez mais do que gostaria ser. Não é que não gostasse, pelo contrário, é giro andar pela escola e saber que todas as pessoas me conhecem. Mas, por outro lado, toda a gente sabe da minha vida, às vezes até sabem de coisas sobre mim que nem eu própria sei. 

Ao entrar no edifício principal não baixei o olhar como tinha feito quando entrei pela primeira vez depois do meu pai ter morrido. Senti todos a olharem para mim e algumas pessoas comentavam coisas, eu conseguia ouvir e perceber, era como se já tivesse prática.

-Que aula vais ter? - perguntou Mason tocando nas minhas bochechas, ele sempre tinha gostado de fazer aquilo, eu sempre tive bochechas ‘fofinhas’ como ele dizia.

-Vai ter Inglês comigo - disse Jack antes que eu respondesse. Mason ficou a olhar para ele e  Marie foi ao cacifo, fui atrás dela buscar as minhas coisas que eu deixava sempre lá. Quando tocou, Mason foi para o lado contrário mais a irmã e Jack foi ao meu lado sorrindo-me, quando o olhei, forcei-me a fazer o mesmo. Apesar de não estar no meu melhor, ainda conseguia sentir o meu coração bater muito rápido fazendo-me respirar irregularmente. Ele conseguia mesmo mexer comigo, só por causa disso apetecia-me bater-lhe.

-Porque é que de ti recebo só sorrisos forçados? - fez uma cara rabugenta juntamente com um olhar desiludido a fingir, o que me fez revirar os olhos com um sorriso mais genuíno. - Assim gosto - riu-se - como é que estás? - perguntou-me. Tinha a voz entalada na minha garganta, nunca pensei em voltar a falar com ele depois de cinco anos. Mordi a parte de dentro do lábio, pelo menos a pergunta dele tinha sido diferente, ele sabia que eu não estava bem. Apenas encolhi os ombros e ao entrar na sala de aula ele passou as mãos pelos mesmos. Fui sentar-me na minha mesa e para meu espanto ele veio para o meu lado.
As pessoas começaram a chegar e a olhar-me.

-Coitada, mais valia não aparecer. Se eu fosse a ela não saia de casa, aposto que a família está amaldiçoada ou coisa do género – estava a olhar para Jack quando ouvi o comentário e vi-o a revirar os olhos, percebendo que ele também tinha ouvido. Tinha sido Drew, era um parvo que tinha vindo apenas à um ano para New York, vinha de uma terra Longínqua que nem eu sabia bem onde era e acreditava em tudo o que era fantasmas e suprestições, mas isso não queria dizer que não fosse giro. Era entroncado e tinha uns olhos fenomenais.

Olhei para os meus livros e abri-o sentindo depois um toque na minha bochecha. Toda a gente as adorava, só podia.

-Sabias que os ruivos estão em vias de extinção? – ouvi Jack a falar baixinho na minha direcção quando todos se calaram por causa do professor. Olhei-o com uma expressão curiosa. – Sorri, és uma espécie procurada – riu-se tocando-me no cabelo ruivo.




Este não é dos melhores capítulos, veio mais cedo porque hoje, felizmente houve greve geral.

Acho que já decidi, não vou usar sobrenatural e se por acaso isso acontecer, foi porque tive uma panca qualquer. 


Obrigada pelos comentários, estão a ser todos muito bons ^^ e sinceramente pensava que ia demorar até atingir mais do que dois ou três.

Não sei quando vou fazer o próximo capítulo, mas ele aparece para esta ou para a próxima semana.

 

Beijinhos e obrigada.


Ah! e vão continuando a dizer as vossas teams aahahhahaha 

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The one - 2

Sexta-feira, 09.11.12
The one - 2 
"Ele ficou contigo"

Mason



Jack tinha razão, eu estava a divertir-me pela primeira vez após a morte do meu pai, só não sabia se estava assim devido à bebida ou porque eles eram mesmo engraçados.

-Mais outra rodada? Vais falir a mãe - disse Marie arregalando muito os olhos, ela já não estava nada bem, e talvez eu também não estivesse.

-Claro, afinal não é todos os dias que se faz dezoito! - disse Mason com um ar convencido. Olhei para ele levantando uma sobrancelha e ri-me. Tal como prometido, ele pagou-nos a rodada e desta vez eu começava a sentir-me mesmo mais quente.

Uma música começou a fazer o pessoal à nossa volta começar a dançar, Marie começou a mexer-se no banco fazendo-me rir das suas figuras. Ela era parva e eu conseguia ser como ela, mas ultimamente não conseguia fazê-lo muito.

-Anda Becca - pediu o seu irmão. Levantei uma sobrancelha porque ele era um péssimo dançarino, mas não consegui resistir ao seu sorriso e olhinhos encantadores de um azul lindo que eu amava. 

-Cuidado com os meus pés, preciso deles - gozei, ele revirou os olhos e abraçou-me a cintura mal começou uma música mais calma que a anterior. Sorri encostando a cabeça no seu ombro e ele baixou ligeiramente a cara encostando os seus lábios na minha testa enquanto dançávamos. 

-O que se passa contigo? Não estás tão contente como costumas estar, hoje - levantei o olhar com o seu comentário, eu adorava-o mas ele às vezes parecia não se lembrar do que tinha acontecido.

-Não é nada, não te preocupes - sorri-lhe.

-É a tua mãe? - perguntou fazendo-me encolher os ombros, não queria falar muito disso e ele percebeu isso calando-se e dando-me apenas um beijinho na testa. 

Senti o meu pé ser esmagado debaixo do seu e comecei a rir-me afastando-me dele depois de lhe dar um beijinho na bochecha.

-Eu já estou bêbada, é melhor não dançar muito antes que caía para o lado - ri-me. Ele fez o mesmo e agarrou na minha mão levando-me para a mesa onde estávamos. Marie, que estava a dançar com Jack veio ter connosco toda a sorrir.

-Aww, vocês estão tão fofos! - riu-se sentando-se à nossa frente.

-Mais fofos estávamos nós - vi Marie corar com o comentário de Jack, que abraçou a cintura e lhe deu um beijo na bochecha. Ela dizia que ele a tinha traído, mas ele parecia-a tratar melhor do que muitos rapazes já a trataram. 

Se eles estavam fofos ou não, eu não sabia e ainda bem que não os tinha visto. O álcool já estava a subir-me à cabeça e apesar de Marie ser a minha melhor amiga desde sempre, senti vontade de lhe saltar para cima e arrancar-lhe alguns cabelos. Suspirei contendo-me e encostei a minha cabeça ao ombro de Mason. Eles começaram a falar não sei bem do quê porque não estava com muita atenção. 

-Becca - chamou-me o irmão de Marie abanando o meu ombro ao de leve. Levantei o olhar para ele e engoli em seco.

-Eu  não me estou a sentir muito bem - disse quando a minha cabeça começou a andar à volta e o meu estômago a doer. Todos me olharam sem reagir e eu apenas me levantei devagar indo até à casa de banho. Felizmente, a sanita não estava assim tão suja, pelo que me pude agarrar a ela e vomitar todas as bebidas que tinha ingerido. Quando olhei para trás vi Mason e, surpreendentemente, Jackson atrás de mim. Encostei-me à parede branca e abanei a mão para que eles fossem embora.

-Não. - ouvi Mason.

-Estás bem? - perguntou Jackson. Abanei a cabeça fechando os olhos, não conseguia parar de ver tudo à volta, apesar do meu estômago ter acalmado. 

-Vão-se embora, eu já vou ter convosco - prometi. Mason abanou a cabeça - Mason, eu já vou - ele suspirou e foi-se embora com medo que eu ficasse chateada com ele se não fosse, contudo, Jackson continuou agachado à minha frente.

-Toma - colocou-me um pacote de açúcar nas mãos e desviou-me o cabelo ruivo da frente dos olhos.

-Jackson, vai tu também - pedi-lhe, mas ele não era tão influenciável quanto Mason e em vez de fazer o que lhe pedi sentou-se ao meu lado e agarrou no açúcar fazendo-me abrir a boca.

-Deixa derreter  - disse e eu assim o fiz. Para minha vergonhada, comecei a chorar estupidamente sentindo os seus braços à minha volta. Agarrei na sua camisola e encostei a cabeça ao peito dele.

-Lamento pelo teu pai - disse quando deixei de ouvir apenas o som do meu choro nos meus ouvidos - eu conheci-o minimamente, ajudei-o com umas coisas do trabalho - falava num tom calmo, ele podia ser quem era, mas era super inteligente tal como o meu pai, eu sabia que por vezes eles se reuniam para debater assuntos. - a minha mãe comentou ao jantar que a tua não está muito bem. Era por isso que querias ir embora?

- Abanei a cabeça negativamente, eu queria ir embora porque não o queria ver a ele e a Marie juntos. Afastei-me dele começando a dar-me chapadas a mim própria, estava abraçada ao rapaz que gostava, que por acaso, namorava com a minha melhor amiga e sabia que, com o meu cérebro ainda a trabalhar mal, isto ia dar mau resultado. - Vamos lá para dentro - eu assenti levantando-me com cuidado e passei apenas a cara por água vendo que parecia mais uma morta viva do que propriamente eu. 

Quando apareci de novo no bar Marie veio ter comigo e abraçou-me.

-Estás bem? Pensava que ias morrer! - olhei para ela fazendo uma careta mas acabei por rir. 

-Devias parar de beber Marie - ela fez um sorriso culpado e largou-me saltando para as cavalitas de Jack. Desviei o olhar deles e fui ter com Mason que estava sentado a olhar-me.  - Viste? Já estou bem, foi bebida a mais, não jantei muito - disse colocando as minhas pernas em cima das dele. Ele assentiu olhando para a irmã.

-O que foi? - perguntei vendo-o triste - fazes anos, anima-te - pedi. 

-Ele ficou contigo - encolheu os ombros - eu não gosto muito dele para a minha irmã, mas não me meto. - mordi o lábio engolindo em seco.

-Ele não é má pessoa - disse tentando fazê-lo mudar de opinião - apenas gosta de raparigas - pois… Mason assentiu e pediu para esquecer a conversa que era só ele a ser sentimental. Perguntou se queria ir embora e eu assenti, apesar de não me sentir mal, estava cansada e queria ir dormir. 

-Nós vamos embora, vou leva-la a casa - disse Mason com uma mão nas minhas costas.

-Nós vamos com vocês, não ficamos aqui a fazer nada - disse Jack e olhou para Marie, os outros já tinham ido embora por isso eu encolhi os ombros sem argumentos para dar contra. Virei costas começando a andar em direcção da minha casa.

-Manhattan à noite é assustador - comentou Mar com uma voz arrastada encostando-se ao peito de Jack que lhe abraçava os ombros. 

-Isso é porque são cinco da manhã Marie é normal que não esteja muita gente na rua ou de carro - ri-me atravessando para minha casa, felizmente já não chovia pelo que estava seca. 

-Ainda pior, quem anda pela rua somos só nós e os maus - revirei os olhos abanando a cabeça e destranquei a porta de casa. 

-Vai dormir - mandou o irmão gozando com ela. 

-Não! - era a minha mãe a gritar. Suspirei olhando para eles, que vendo-os fazer uma careta.

-Deve estar a ter um pesadelo - comentei baixo.

-Vai Becky, até amanhã - Jack falou-me novamente eu forcei-me a sorrir um pouco abrindo a porta.

-Socorro! - ouviu-se um tiro que me paralisou e quando voltei a reagir vi um vulto vir na minha direcção sentindo, depois a minha cabeça colidir com o chão. Olhei para trás tentando ver quem me tinha empurrado e ajudaram-me a levantar. Olhei em volta desorientada e Marie veio ter comigo.

-O... o tiro - murmurei e senti uma chapada na bochecha que me voltou a concentrar - oh meu deus - murmurei entrando de rompante em casa e fui até ao quarto dela, porque a sala estava como eu a tinha deixado. Quando estava a entrar parei levando as mãos à boca. A minha mãe estava deitada na cama de barriga para baixo, parecia que estava a dormir, a única diferença é que havia uma mancha enorme debaixo dela. 


 

Eu desta vez não avisei quase ninguém que comentou da última vez, porque não quero ser chata, mas quem quiser seguir a história que peça para eu dizer quando postei, não faz mal nenhum.

 

Neste capitulo já começa a acontecer alguma coisa, vocês podem ver que vai ter acção, pouca ou muita ainda não sei, mas ando a magicar umas coisas. 

 

Arriscava-me a perguntar: team Jackie (Jack+Beckie) ou team Masie (Mason+Beckie)? 

 

E agora eu pergunto, porque sinceramente estou a ficar indecisa, ponho sobrenatural (não, não é a série ahaha) ou não na história?

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