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The one - 9

Segunda-feira, 28.01.13

"Jack, eu denunciei o teu pai e a tua madrasta"



Agora percebia porque não reconhecia a voz, estava distorcida com um aparelho qualquer. 
            -O quê? - falei baixinho tentando largar-me do que quer que me prendesse as mãos e os pés, que me fazia andar.

            -Onde está o antidoto? - voltaram a perguntar-me e senti uma pressão no pescoço. Não estava a ver nada porque tinha uma espécie de saco a enfiada na cabeça e era isso que pressionava o meu pescoço agora. Tossiquei abanando a cabeça. 

            -Eu não sei de nada - disse com o medo a surgir no meu peito, a única coisa que tinha em mente e que conseguia pensar era em como sair dali. 

            -Essa não é a resposta certa - senti uma coisa debaixo do rabo e tentei olhar para os lados mas continuava sem ver - vais ficar aí a pensar.

            -O quê? - guinchei a tremer - Eu não sei de nada juro. Juro. Juro - fechei os olhos com força e tentei controlar-me para não entrar em pânico, sabia que se entrasse ia ser pior. Quando senti uma brisa mais fresca na cara percebi que já me tinham tirado o saco pelo que olhei em volta mas só vi uma pessoa toda de preto a ir embora. Estava numa sala vazia, completamente vazia, apenas à minha frente havia uma janela e em todos os cantos uma porta. Olhei em volta e cerrei o maxilar com força. Começava a odiar o meu pai, tinha sempre seguranças atrás dele e atrás da minha mãe, mas tinha morrido, a minha mãe tinha-os dispensado e agora todos tínhamos morrido. Se já me considerava morta? Já. 

O que estava a prender os meus pulsos não era corda, era um fio de plástico fininho que os cortava se me mexesse muito, o mesmo acontecia com os tornozelos. Conseguia vê-los. - Vá lá... - murmurei enquanto tentava uma forma de colocar os meus braços para a minha frente, mas era impossível passa-los por cima da cabeça.  O meu corpo não estava preso à cadeira, pelo que me atirei ao chão, sentando-me e sorri quando tive uma ideia. Tinha que passar os meus braços por baixo do rabo e depois pelas pernas, só assim daria. 

Demorei cerca de cinco minutos a fazê-lo, era boa no que praticava e tinha uma boa elasticidade, olhei para os meus pulsos em sangue e levei o fio à boca, isso sim demorou mais porque o fio não rasgava.

            -Rebecca - ouvi e dei um salto olhando para todas as portas já só vendo Jack a agarrar-me ao colo. Eu sabia que era ele pelo seu cheiro,pois só depois o consegui ver - Becky - voltou a repetir na sua forma mais carinhosa. - Desculpa.

            -O que é que estás aqui a fazer?  - perguntei a Jack, agarrando-me a ele, grata por de onde quer que ele tenha aparecido, me tinha salvo. - Onde é que estamos? - ele não falou - Jack o que se passa? - tentei sair do colo dele, mas ele não deixou e quando dei por mim já estava no seu quarto, como naquela tarde. - Mas... - olhei-o de olhos arregalados. - foi o teu pai... 

Ele fiquei na mesma posição séria a olhar-me. 

            -Não foi o meu pai - disse baixinho e sentou-se à minha frente - foi a minha madrasta.

            -E o teu pai - insisti levantando-me. Precisava de sair dali, precisava de encontrar o pai de Marie e contar tudo. Quando estava quase a chegar à porta ele meteu-se à frente. - Sai já Jack - ele não fez por isso e eu dei-lhe um murro na barriga tentando abrir a porta, mas isso não aconteceu. Estava trancada. - Jackson abre a porta - gritei-lhe vendo-o aproximar-se. - Não. Deixa-me ir embora - ele aproximou-se mais até me agarrar fazendo-me contorcer para sair dali. - JACK - gritei-lhe aos ouvidos a espernear.

            -Não Becky, cala-te por favor - disse contra mim fazendo-me ficar parada - o meu pai ajudou, ele fica diferente com ela, mas não... 

            -Foi ele - limpei as lágrimas agarrando-me à camisola dele. 

            -Tem calma - pediu-me abraçando-me. - Já passou, ele trouxe-te para casa e disse para te vir buscar.

            -De certeza que não era para vir assim - disse a tremer, mas ouvi-o rir-se.

            -Não, não era assim.

                -Para que é que eles querem o antídoto? Se é que existe um.– perguntei afastando-me e virando-lhe costas. Não percebia porque é que ele não me contava tudo de uma vez e deixava que coisas como estas acontecessem, podia ficar tudo esclarecido num instante, ou não, porque eu não sabia de nada disto do meu pai e muito menos sabia de um antídoto. Vi Jack engolir em seco e sentar-se, virei-me para ele e fiquei a olha-lo.
                -Porque a minha mãe não foi a única – disse baixinho – A minha irmã mais velha… – juntei as sobrancelhas. Irmã mais velha?
                -Tu tens uma irmã mais velha? – perguntei sentando-me ao seu lado e vi-o anuir.
                -Não é filha legítima e estava a viver com o outro – levantei uma sobrancelha enquanto ela falava – a minha mãe perdeu em tribunal quando souberam da doença – explicou – mas ela também foi submetida aos testes e… a minha madrasta é a mãe dela, o outro morreu.
                - O pai da tua irmã morreu e era casado com a tua madrasta – ele assentiu e eu fiz o mesmo.
                -A minha irmã está mesmo mal e… eles querem o antídoto, mas não confiam em ninguém, acham que pode fazer alguma coisa.
                -Eu não sei sobre o antídoto. – abanei a cabeça – mas posso procurar – disse baixinho, só tinha que pensar um pouco, o meu pai era um homem previsível e eu conhecia-o melhor que ninguém, quer dizer… pensava eu.
                -Queres que eu te leve a casa? – perguntou-me. Ainda fiquei na duvida se era a casa de Marie ou  a minha, mas como sabia que ele não se ia arriscar a ir à da ex-namorada eu assenti levantando-me.


Jackson levou-me no seu carro até minha casa, fitei-a de fora e engoli em seco. Era estranho voltar a entrar lá depois de tanto tempo.
                -Eu vou contigo – olhei para Jack quando falou e abanei a cabeça. Ele percebeu que eu queria fazê-lo sozinha pelo que se afastou e eu abri a porta devagarinho. A casa estava como eu a tinha deixado, depois da minha mãe ter entrado naquela depressão era eu que arrumava e limpava tudo. Comecei a andar devagarinho por toda a casa até chegar ao escritório do meu pai. Não fazia a mínima por onde ia começar, provavelmente nem estava aqui, ele não trabalhava só em casa. Mesmo assim eu sabia que ele pensava que em casa era mais seguro. Senti alguém atrás de mim e vi Jack a olhar-me pelo espelho que havia à minha frente. Fechei os olhos e respirei fundo abrindo a primeira gaveta que vi. Papéis, papéis e mais papéis. Fiz o mesmo nas outras todas e não havia nada.
                -Ele não tem um cofre? – perguntou-me Jack depois de muito tempo calado. Eu assenti e olhei para o mesmo, estava bem camuflado pela parede, mas eu que sempre tinha sido uma cusca conseguia perceber que ali estava. Fui até ele e abri a primeira porta encontrando depois os números para pôr o código.
                -Eu não sei o código – disse baixinho.
                -Disseste-me que o teu pai era previsível – olhei Jack – Tenta o teu nome, ou a tua data de nascimento – ele encolheu os ombros, mas tinha uma certa razão. Assim que digitei a alcunha que ele me dava, Beks, o cofre abriu-se. Havia dinheiro, estratos bancários, uma arma e uma caixa dourada. Agarrei na mesma e quando a abri estava lá dentro um frasco e uma seringa ao lado.
                -Achas que é isto? – perguntei a Jack e ele agarrou no frasco e assentiu.
                -Acho que sim – fechei o cofre novamente e levantei-me.
                -Então vamos dar isto ao teu pai e acabar com isto de uma vez. – disse apressada.
                -Não – vi-o abanar a cabeça – primeiro vais falar com a Marie, eu vou dar isto ao meu pai e… e ele vai parar com isto. – eu não acreditava muito no que ele me estava a dizer, mas assenti. Confiava nele para fazer o que quer que fosse, não confiava era na hipótese de ele conseguir. Sentei-me na cadeira do meu pai, recebendo um beijo na testa e vi-o sair de minha casa.

 

Tinha passado a noite minha casa, tinha sido um dia demasiado grande ontem. Quando acordei já tinha mais de cinco chamadas não atendidas de pessoas diferentes, até de Marie tinha, talvez tivesse ficado preocupada. Mordi o lábio sorrindo levemente e fui até à sua casa. Foi ela quem me abriu a porta, tinha um ar cansado e apesar dos seus olhos terem brilhados quando me viu, ela não sorriu.
                -Entra.
                -Eu preciso de falar contigo – disse ao mesmo tempo que ela e eu assenti assim como Marie. Entrei em sua casa tal como me pedira e subi até ao seu quarto, sentando-me na cadeira onde antes tinha adormecido com Mason.
                -Começa tu – mandou ela. Levantei a cabeça para a conseguir olhar e fiz um esforço enorme por sorrir-lhe.
                - Eu não vou pedir desculpas porque…  - baixei o olhar – Eu queria que aquilo tivesse acontecido já à muito tempo. – disse baixinho – mas depois começaste a namorar com ele e… eras e… e és a minha melhor amiga, eu perdi as esperanças todas.
                -Era disso que te queria pedir desculpas – disse ela fazendo-me olha-la – Eu não te posso culpar por tudo. – sentou-se ao meu lado – eu sabia que gostavas dele e mesmo assim meti-me com ele, eu sabia como ele era, todo machão e atrás de raparigas, sabia que eu não era a única na vida dele, mas…
                -Ficaste desiludida comigo – olhei-a – eu sei, eu também fiquei comigo.– disse baixinho.
                -Eu vou perdoar-te Becca – disse ela assentindo. – Mas agora não consigo. – baixei o olhar assentindo ao que ela estava a dizer e encostei-me mais ao banco.  – A minha casa é a tua casa, não precisavas de ter passado a noite fora. – senti o meu telemóvel vibrar no meu bolso, mas olhei para Marie ignorando-o.
                -Eu fico – ela sorriu e abraçou-me durante uns segundos, para se afastar logo.
                -Vou arranjar-me para ir para a escola, tu vais? – perguntou-me. Eu neguei com a cabeça e levantei-me.         
                -Preciso de falar com o teu pai. e com o Jack, acrescentei mentalmente. Ela assentiu e eu sabia que ela estava a morrer para me perguntar o que se passava, porém não o fez e foi arranjar a sua roupa.
Saí do seu quarto e desci até à cozinha, onde estava o pai de Mason a fazer o pequeno-almoço juntamente com a empregada que estava mais atrás.
                -Oh olá Rebecca, queres cereais? – mostrou-me a taça e eu abanei a cabeça.
                -Só preciso de falar consigo, obrigada – ele sorriu-me e apontou para o banco à sua frente, fui-me sentar nele e mordi o lábio.
                - Eu sei quem matou os meus pais – ele endireitou-se ficando mais sério. Contei-lhe tudo, desde o que meu pai fazia, até ao dia de ontem. Jack ia odiar-me, mas eles tinham morto a única coisa que eu tinha e isso eu nunca ia perdoar a ninguém.
                -Tens provas? – perguntou-me o general. Eu abanei a cabeça negando como resposta à sua pergunta.
                -Não, mas o pai do Jack quer o antídoto e já o tem. Se o apanharem é possível… O Jack não vai… – abanei a cabeça só me apercebendo que podia estar a incriminar a pessoa que amava.
                -Ele não tem culpa dos pais que tem, podes estar descansada, se não houver provas em contrário o Jack nem vai pôr os pés em tribunal.-  Respirei fundo de alívio e fechei os olhos passando as mãos pelos mesmos.
                -Por momentos pensei estar maluca – admiti.
                -Eu sei que não é fácil – sorriu-me carinhosamente e eu forcei-me para também o fazer. Jack podia não ir parar à cadeia como o pai e a madrasta e todos os outros que estavam envolvidos nisto, mas ia ficar sem ninguém, provavelmente a sua irmã ia morrer tal como a sua mãe, ele… Fechei os olhos abanando a cabeça. Ele ia odiar-me para sempre.

Agarrei nas minhas coisas e entrei na sala de aula, sentando-me ao lado de Marie. Não conseguia olhar para Jack, que estava mesmo atrás de mim a tentar chamar-me com papelinhos.
                -Deixe a menina Rebecca, Jack, ela chegou atrasada, tem muito que apanhar – disse o professor fazendo com que eu lhe agradecesse mentalmente, mas quando saímos da aula, ele não me deixou passar a porta.
                -Estás a evitar-me por causa da Marie? – perguntou-me com a mala só de um ombro e com uma das suas mãos a tocar-me no queixo para que eu o olhasse, uma coisa que eu tentava não fazer a todo o custo.
                -Jack, eu denunciei o teu pai e a tua madrasta. Desculpa. – disse de rajada e vi os seus olhos castanhos ficarem mais escuros, deixou cair a sua mão e o seu maxilar retesou-se. Eu tinha sido tão directa, talvez demasiado brusca, mas precisava de lhe dizer antes que ele os visse a ser presos e viesse ter comigo.
                -O quê? – perguntou sem acreditar.
                -Eles mataram os meus pais – tentei explicar-me, mas ele já tinha virado costas. Mordi o lábio como se isso fizesse com que o meu queixo parasse de tremer. Tal como tinha pensado ele não me ia perdoar e eu voltava à estaca zero. Tinha Mason e Marie, mas não tinha Jack.


Eu não devia postar, porque pronto.. mas o próximo já está escrito e deve ser o último.

Espero que gostem


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The one - 8

Quarta-feira, 16.01.13

The one  - 8

"Mas eu também gosto de ti. "

Estava em casa de Jack, ele tinha-me levado para lá. Entrámos pelas traseiras porque os seus pais estavam na sala e se o vissem ele estava morto. Pelo que eu sabia, o seu pai preocupava-se com ele, mas sempre que estava com a sua madrasta ao lado ele mudava radicalmente.

-Eu ajudo-te - disse indo buscar a caixa de primeiros socorros a uma das casas de banho e coloquei-a em cima da cama e agarrei num bocado de algodão pegando na água oxigenada para desinfectar. Nunca pensei que Mason tivesse uns punhos tão duros e que provocassem tanto estrago, Jack mal conseguia abrir um olho. Fiz uma ligeira careta enquanto o sentia conter-se para não gritar. - Desculpa - pedi quando fechou os olhos de uma maneira dolorosa. Fui pôr as coisas sujas para lavar e sentei-me na cama descalçando-me para pôr os pés em cima dela até ele agarrar nos meus ombros, massajando-os.

-Desculpa-me a mim - disse Jack ao fiz de algum tempo. Levantei a cabeça encostando o queixo em cima dos joelhos e fiquei a olhar os seus olhos, ou melhor, o seu olho. - Não devia ter-te beijado, muito menos...

Abanei a cabeça antes que dissesse alguma coisa que me magoasse.

-Não estou arrependida por ter retribuído Jack - disse baixinho e ele veio deitar-se ao meu lado, encostando a cabeça ao meu ombro. - Estou arrependida... não sei, só sei que não devia ter acontecido - suspirei encostando a cabeça à sua cama e fechei os olhos.

-Mas aconteceu - disse ele - ela vai ficar chateada no início, mas ela adora-te demasiado para te afastar. - Vi-o olhar-me e sorrir ligeiramente - Ela está sempre a falar de ti, quando não está a falar de moda - revirou os olhos e eu sorri passando a mão pelo seu cabelo.

-O Mason odeia-me - murmurei e acabei por fechar os olhos - mas eu não me consigo arrepender.

-Isso é porque gostas de mim - sorriu ele todo convencido. Olhei para ele com um revirar de olhos e estive mesmo para pregar-lhe um estalo com pouca força, mas não o fiz, ele já tinha levado o suficiente. - Diz lá que não é verdade - agarrou na minha cintura puxando-me mais para ele.

-É verdade, já tinha dito - mordi-lhe o queixo com força e fiz com que ele me largasse.

-Au - queixou-se passando a mão pelo queixo que tinha agora a marca dos meus dentes.

-Não vai acontecer mais nada agora Jack, pelo menos não até eu falar com ela. - vi um brilho de desilusão no seu olho e lá se acabou por afastar. Suspirei aproximando-me eu e abracei-o com força. - Eu gosto mesmo de ti Jack - disse baixinho e senti a sua mão no meu cabelo.

-Vai falar com ela, quero beijar-te e cuidar de ti - sussurrou ao meu ouvido. Não consegui evitar sorrir e abanar a cabeça, apesar de não o repreender, acho que ele agora era a única coisa que eu tinha. Não tinha os meus pais e tinha acabado de perder as duas pessoas mais importantes a seguir a eles.

És mesmo burra Rebecca.

Afastei-me dele depois de lhe dar um beijo na bochecha que estava melhor e levantei-me calçando novamente os meus ténis. Sorri-lhe apenas num jeito de despedida e saí por onde entrei embatendo contra alguém muito mas mesmo muito mais alto que eu. Levantei o olhar vendo que era o pai de Jack e sorri-lhe ligeiramente sem conseguir dizer nada. Depois do que o filho dele me tinha contado eu não conseguia sequer olhar para a cara dele como se fosse uma pessoa normal. Ele assentiu sem grandes floreados e saiu de casa fechando a porta atrás de si indo até ao seu carro. Mordi o lábio respirando fundo. Depois não queriam que eu não desse em maluca?

De casa dele até a casa de Marie ainda era longe, mas eu não me importei de correr, até estava frio e eu estava com roupa de treino, pelo menos aquecia de alguma forma. Quando cheguei passei a mão pelo peito, o meu coração estava a mil e era capaz de o vomitar de tão nervosa que estava. Quando estava a abrir a porta Mason fê-lo por mim.

-Ela está no quarto - disse ele enquanto me olhava.

-Mason...

-Vai ou conto agora - engoli em seco e fiz um esforço para não chorar.

-Desculpa, eu sei que não agi correctamente - disse enquanto olhava os seus olhos, ele tinha que perceber que... O pior era que eu não me sentia mal por o ter beijado, sentia-me mal apenas por ter traído a confiança de Marie, apesar da sua confiança não ser muita.

-Depois falamos Becca - senti uma pontada de esperança quando o ouvi, mas não fiz logo a festa. Entrei em casa deles e subi até ao quarto de Marie, que agora era nosso. Abri a porta e vi-a a ouvir música no computador enquanto estava sentada na cama. Fechei a porta atrás de mim e antes de dizer o que quer que fosse fui mudar de roupa, estava a regelar.

-Desculpa - saltei quando a senti atrás de mim e virei-me para ela. - Por ter falado daquela maneira contigo. - engoli em seco e coloquei o meu cabelo todo de um lado.

-Não - murmurei abanando a cabeça. Eu não conseguia. - Eu... - levantei a cabeça para a olhar e cerrei o maxilar - nós beijamo-nos. - não a consegui ver por momentos porque tudo o que via era turvo. Passei as mãos pelas bochechas quando as lágrimas caíram e voltei a levantar o olhar para conseguir ver a sua reacção. Ela continuava na mesma, a olhar para mim a empalidecer cada vez - desculpa Marie - disse mais baixo - eu não pensei bem...

-Pois não - disse ela engolindo as lágrimas, mas ainda a olhar-me - Isto foi vingança não foi? Por eu saber que gostavas dele e mesmo assim ter consigo chegar até ele. Foi vingança não foi? - falou cada vez mais alto e eu abanei a cabeça olhando para o chão.

-Não, não foi vingança. - limpei as bochechas que já deviam estar vermelhas de tanto limpar.    
Quando voltei a levantar o olhar Marie já não estava à minha frente e a porta do quarto já tinha batido. Respirei fundo e sentei-me num sofá passando a mão pelo meu cabelo. Cinco minutos tinham arruinado a minha vida, mas foram cinco minutos bons. Bati a mim própria por ainda ter sorrido e com suspiro olhei para a porta vendo-a abrir-se. Era Mason, estava cabisbaixo e com os olhos vermelhos.

-Queres falar? - perguntou ele baixinho sentando-se ao meu lado. Fiquei um bocadinho surpreendida por ter parecido tão calmo, a comparar com as outras vezes estava bastante mais calmo.

-Do que queres falar? - falei no mesmo tom que ele brincando com os meus próprios dedos.

-Eu sabia que gostavas dele mas...

-Ela é tua irmã, eu sei - murmurei passando a mão pela dela. - Eu sei que cometi um erro - virei-me para ele - mas desculpa Mason, pelo menos tu. Desculpa.

-Mas eu também gosto de ti - terminou ele. Mordi o lábio enquanto o olhava e deixei a minha cabeça cair no seu ombro.

-Não gostas nada Mason - engoli em seco - Sou a tua melhor amiga, estás a confundir as coisas - abracei-me a ele. Era verdade, eu não acreditava que ele gostava de mim, sempre fomos demasiado amigos para isso. Eu cheguei a um certo ponto que também comecei a pensar que o amava, mas mais tarde descobrira que era só mesmo amizade, estava a acontecer-lhe o mesmo.

-É verdade - defendeu-se ele. Levantei a cabeça para o olhar nos olhos e passei um dedo pelo seu queixo dando-lhe um beijinho na bochecha.

-Acho que devias pensar melhor. Eu sou só a Becca. - mordi o lábio - mas desculpa, eu não quis magoar ninguém. - ouvi apenas silêncio por um bocado.

-Eu sei - sorri levemente agarrando-me a Mason e fechei os olhos tentando descansar.

Quando acordei Mason não estava ao meu lado. Olhei para o quarto e vi um papel em cima da cama, ele tinha ido treinar. Fui ver-me ao espelho e aproveitei para passar a cara por água descendo para a sala onde estava a irmã mais nova de Marie de Mason. Dei-lhe um beijinho na testa e procurei a minha melhor amiga por todos os sítios mais e menos secretos daquela casa para ficar a saber da empregada que ela não estava. Suspirei começando a pensar e a repensar em sítios onde ela pudesse estar e quando me lembrei de um sorri para mim mesma. Avisei que ia sair e assim o fiz começando a ir em direcção ao arranha-céus onde eu e ela brincávamos juntas quando crianças. Os nossos pais apanhavam sustos de morte connosco quando nos apanhavam lá, mas aquilo tinha boas protecções por isso nem mesmo uma medricas com medo de tudo, como eu era, teria medo.
Senti uma dor aguda na minha nuca que me fez agachar com um grito de dor e quando abri os olhos já não via nada a não ser preto.
-Onde é que está o antidoto? – perguntaram-me. Tentei reconhecer a voz que estava a ouvir perto do meu pescoço, eu conhecia-a, mas estava demasiado atordoada.

eu sinto que não ando a escrever nada de jeito.. mas pronto. E não revi, por isso deve estar cheio de erros, desculpem, mas não tive nem tempo nem paciência. E apesar de tudo, espero que gostem..

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The one - 7

Sexta-feira, 04.01.13

The one  - 7

"Não te preocupes, eu tomo conta de ti. "



 

Foi instantâneo, não tive tempo de pensar e mesmo que tivesse… eu queria aquilo há tanto tempo que talvez não o detivesse. As mãos de Jack passaram pela minha cintura e senti o meu corpo completamente colado ao dele, enterrei as minhas mãos nos seus cabelos e puxei-os levemente. Eu acho que tanto eu como ele estávamos a gostar e não conseguíamos parar, mas quando o fizemos eu encostei a minha cabeça ao seu peito. Ele estava a ser tão intenso que eu nem conseguia explicar, quase que conseguia sentir que ele era meu e só meu. Mas não era, ele era da Marie, e de todas as relações que ele já teve a minha melhor amiga era a que estava a durar mais tempo e parecia ser mais sério. Puxei-o pela gola da camisola mais para baixo e voltei a beija-lo.

-A Marie é minha amiga, é a minha melhor amiga – disse contra os seus lábios, ouvi-o abafar uma gargalhada e agarrei-me mais a ele tentando continuar a beija-lo, mas decidi que era melhor parar. – É verdade, conheço-a desde criança – ele começou a fazer-me andar de costas e descer escadas devagar. Consegui sentir os lábios dele no meu pescoço o que fez com que os meus olhos fechassem e eu lhe puxasse mais o cabelo. – Espera Jack. – Afastei-me dele vendo que já não estávamos no ginásio, mas sim no jardim onde eu tinha estado a treinar.

-Diz Becky – pediu ele com um ar meio desanimado, mas aproximou-se novamente agarrando-me pela cintura, descendo pelo rabo até me tocar nas minhas pernas despidas, eu ainda estava com aquele maldito fato de treino curto por causa do treino. Engoli em seco tentando concentrar-me e comecei a abanar a cabeça.

-Não vai acontecer nada – vi-o revirar os olhos e bati-me a mim mesma passando a mão pelo meu cabelo e puxando-o todo para um lado. – Tu és… – tentei pensar num nome que se apropriasse a ele. – És insolente Jack! Tu tens… - falei mais baixo – tu tens uma doença contagiosa e andas com todas as gajas que te aparecem à frente. – ralhei com ele pela primeira vez, como se não tivesse acontecido nada naqueles sete anos e ainda tivéssemos a mesma amizade.

Pela primeira vez vi-o suspirar e abanar a cabeça. – Não é assim, e mesmo que fosse… - vi-o corar e abri muito os olhos à espera de uma resposta – Eu sou virgem.
Não arregales os olhos, não arregales os olhos.

-Isso é fofo acabei por dizer apesar de me apetecer desmaiar ali mesmo. Como é que ele podia ser virgem? Não… estava ali alguma coisa mal. Aliás, estava ali alguma coisa mal em tudo o que ele contava, havia sempre perguntas, ele nunca explicava tudo até ao fim. – Espera… - acabei por dizer – A Marie disse que tinha…

Assim que me ouviu ele abanou a cabeça – Só pode ser mentira, apenas adormeci ao lado dela, mas não aconteceu nada. – engoli em seco ao pensar na hipótese da minha melhor amiga me estar a mentir e fiquei a olha-lo. – Eu estou a falar a  verdade, achas mesmo que ia para a cama com todas sabendo o que sou? Ainda não gostei suficientemente de ninguém e é claro que andaram para aí a dizer coisas, toda a gente me quer – senti-me derreter apesar do seu tom convencido, mas realista, na última parte da frase.

-Isso é tão querido – disse completamente babada e vi-o revirar os olhos mas rapidamente me endireitei com um suspiro. Ela andava a mentir-me, sabe-se lá o que mais fazia. Se bem que, eu não podia falar muito, também andava a beijar o namorado dela. – Nós traímo-la -  murmurei sentindo a minha cabeça encostar-se ao peito de Jack.

-Ela mentiu-te – tentou fazer-me sentir melhor e voltei a sentir a boca dele no meu pescoço. Suspirei tentando controlar-me mas não consegui. Passei a mão pela sua cabeça e puxei-o para me beijar novamente. Ele riu-se fazendo-me deitar depois de me pregar uma rasteira e tocou-me na bochecha quando me olhou – sempre gostei das tuas bochechas – acho que ele já tinha dito aquilo mas não consegui evitar sorrir.

-Eu sempre gostei de ti – disse da boca para fora, apesar de ser a coisa mais verdadeira que tinha até hoje. Passei as pontas dos dedos pela parte de trás do seu pescoço enquanto o olhava e sorri quando voltei a sentir os seus lábios contra os meus. As mãos de Jack subiram a minha perna e foram para baixo dos meus calções.  – Jack – chamei, para virgem era muito safado. Estávamos ao lado do ginásio, pouca gente estava agora por lá, estavam todos nas aulas, mas mesmo assim olhei em volta para ver se nos viam.

-Eu gosto suficientemente de ti Becky, deixa-me por favor – pedinchou perto do meu ouvido, desviei o olhar para ele e fiquei a olha-lo. Gostava? Ia morrer ali.

Eu não podia fazer isto, começava a desesperar, mas ele voltou a passar a língua pelo meu pescoço e eu continuava a derreter-me. Não conseguia resistir-lhe, era tão fraca.

-Deixar-te o quê? – ouvi a voz grossa de Mason, quando ele estava irritado ou nervoso a voz dele era sempre mais adulta que o normal. Congelei durante uns segundos para depois tentar afastar Jack de cima de mim. Quando consegui levantei-me encostando-me à parede de cabeça baixa.

-Não digas à tu..

-À minha irmã? – perguntou ele com aquela voz. Oh meu deus, eu odiava aquela voz para mim, ele estava furioso e eu tão lixada...  - Cala-te – mandou imediatamente assim que abri a boca para tentar falar – Ela conhece-te desde que nasceu Rebecca e tu… - passei as mãos pelas bochechas, a forma como ele estava a falar comigo, a maneira como me tinha chamado Rebecca, eu só fazia porcaria, deixava todos mal, era por isso que morriam. Vi Mason olhar Jack e quando tentei alcançar o braço do primeiro, ele já estava em cima do outro a esmurrar-lhe a cara. - Eu vou matar-te – ouvi-a Mason. Nunca na vida o tinha visto assim – Eu disse-te que gostava dela – disse no mesmo tom, ele só gritava – eu disse para te afastares – fechei os olhos com força e respirei fundo. Precisava de me acalmar e tentar separa-los. Jack estava indefeso visto que Mason lhe estava a bloquear as mãos de se defender com os joelhos. – E tu eras da minha irmã – agarrei nos braços do meu melhor amigo, acho eu.. e consegui afasta-lo encostando a cabeça às suas costas.

-Pára – pedi baixinho com a voz a sumir-se. Fechei os olhos apertando Mason com força. – Desculpa Mason – pedi sentindo-o demasiado parado. Passei novamente as mãos pela cara e dei a volta as lágrimas a cair, mas Jack ainda estava caído no chão e eu precisava de saber como é que ele estava. Engoli em seco olhando para os dois, mas tive que ir a que estava deitado. O sangue escorria-lhe pela cara e um dos seus olhos já estava a ficar negro e inchado.

-Ele é forte – disse Jack sorrindo levemente. Cerrei o maxilar dando-lhe um estalo que o fez queixar-se.

-Cala-te, devias ter-te defendido – resmunguei olhando para Mason que estava na mesma posição e fui novamente ter com ele. – desculpa – pedi baixinho – eu…

-Eu espero até amanhã para lhe dizeres – murmurou ele levantando-se sem sequer me olhar. Estava desesperada, todos me iam odiar depois disto, eu ia passar de uma rapariga que perdeu os pais e da coitadinha para uma puta, principalmente para eles os dois. Quando me tentei levantar já Jack me estava a agarrar pelos braços.

-Não te preocupes, eu tomo conta de ti. - disse Jack ao meu ouvido.

 

Aqui está, desculpem ter demorado tanto tempo.

Ahahahahha e obrigada pelas reações ao post anterior ahahahhaa ^^ aqui está.

Beijinhos.

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Está quaseeeee

Quinta-feira, 03.01.13

Olá pessoas fofas,

desculpem não postar à muito tempo, mas a minha imaginação e inspiração anda curta e eu quero dar-vos a ler alguma coisa de jeito.

 

Então, eu ainda não acabei o próximo capitulo, aliás, estou longe de o fazer, mas aqui está uma parte só para não vos deixar à seca tanto tempo

 

 

Pela primeira vez vi-o suspirar e abanei a cabeça. – Não é assim, e mesmo que fosse… - vi-o corar e abri muito os olhos à espera de uma resposta – Eu sou virgem.
Não arregales os olhos, não arregales os olhos.


(...) (...)


-Eu gosto suficientemente de ti Becky, deixa-me por favor – pedinchou perto do meu ouvido. Eu não podia fazer isto, começava a desesperar, mas ele voltou a passar a língua pelo meu pescoço e eu continuava a derreter-me. Não conseguia resistir-lhe, era tão fraca.

 

Bom 2º Periodo, se for o caso.


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