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Broken hearted

Terça-feira, 29.10.13

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Warmness on the soul

Domingo, 13.10.13

Depois de acabar esta one-shot venho aqui pedir desculpa mais uma vez por não ter aparecido o verão inteiro. Muito sinceramente, não sei porque é que o fiz, ou melhor, porque é que não o fiz.

Penso que só tenho inspiração quando estou em época de aulas ou quando estou ocupada, porque já o ano passado foi a mesma coisa. Isto complica-me a vida, mas também me deixa ligeiramente mais feliz.

 

Como não tenho tempo o suficiente para começar uma história do zero eu decidi "reeditar", se é que assim se pode chamar uma história que eu já fiz há algum tempo. 


Para quem me segue há algum tempo sabe que eu sou fascinada por sobrenatural (não é a série é mesmo o tema) e eu gosto muito de inventar, enfim, para mim nunca sai algo verdadeiramente como eu quero, mas pelos comentários positivos que tenho parece que pelo menos é alguma coisa que dá para entreter. 

 

Isto tudo, para dizer, que vou voltar a postar "Warmness on the soul", para quem já leu, eu aconselho a ler, eu vou mudar algumas coisas que já não goste, visto que já a escrevi e postei aqui (noutro blog) em 2011. 

Não me perguntem porquê mas tenho especial saudade neste história.

Bem, eu adoro-vos mesmo que me odeiem, beijinhos. 

 

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What is Love - Part VII

Domingo, 13.10.13

2010

 

Em dez anos tudo tinha piorado. Mary tinha marcado logo uma consulta com um neurologista no hospital da filha do meio, mas nada podiam fazer a não ser dar-lhe alguns medicamentos para retardar a doença. Cada vez mais Mary tinha ataques de pânico por não saber onde estava, ela estava perdida, não existia mais aquela mulher saudável e sempre bem disposta, pronta a fazer tudo, com o seu estado mental a detrioriar-se também o físico sofreu algumas lesões. Numa das piores perdas de memória que teve Mary descuidou-se caindo de um escadote onde se tinha empoleirado para limpar umas prateleiras já sujas. Quando acordou com a perna partida, já no hospital, Mary sorriu ao marido e disse.

-Desta vez foste tu a socorrer-me - aquelas palavras não eram agradáveis mas significavam algo bom ela lembrava-se do dia em que Bill tinha caído de um escadote a baixo para arranjar o telhado. Porém, depois desse dia tudo foi pior, a perna dela nunca mais foi a mesma, ela nunca mais conseguiu andar tão bem e a idade cada vez mais lhe pesava. Os filhos ajudavam, mas eles também tinham a sua família e os seus trabalhos, não podiam fazer muito mais pela mãe, Bill passava todo o dia com ela a tentar move-la de um lado para o outro, a tentar que ela se lavasse sem que gritasse e o começasse a chamar de pervertido sem o reconhecer. A vida não estava fácil para nenhum dos dois, mas quando um vizinho passou na rua e lhe perguntou como é que ele conseguia suportar um fardo tão grande ele apenas respondeu.

-Não é fardo nenhum, depois de tanta coisa que ela fez por mim, eu só estou a retribuir, eu amo-a.


Eu disse que este era mais pequenino, muito mais pequenino. 

A história foi especialmente inspirada num video que eu viu, que se chamava "What is Love" eu pensava que o tinha guardado, mas afinal não o guardei e agora não o encontro.. Não foi a melhor coisa que escrevi mas deu para atualizar.

beijinhos

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What is Love - Part VI

Sábado, 12.10.13

Século XXI


 

Mary e Bill casaram-se e surpreendentemente tiveram outro bebé. Tinha sido complicado por Mary já ter 46 anos; a gravidez tinha sido dura e o parto foi doloroso até porque Jonathan tinha nascido prematuramente. Felizmente, a medicina estava muito evoluída e ele tinha conseguido sobreviver. Agora já tinha 21 anos tinha ido viver para outro país mais a mulher de quem tinha um filho. Os filhos mais velhos estavam todos encaminhados na vida, Anne Marie tinha seguido as pegadas do pai e estava a exercer medicina num dos hospitais mais conceituados. Tony estava no exército, tinha uma nova mulher e já contava com três filhos, o mais novo tinha agora três meses.

Estávamos no início do ano 2000, já tínhamos passado o século XX e agora estávamos no novo milénio. A vida de Mary e Bill estava a ser um conto de fadas desde que tinham voltado a juntar-se, agora já mais velhos, Mary tinha 67 e Bill 68. Ela continuava bonita, era uma senhora extremamente bela, como aquelas actrizes de cinema, a diferença é que ela pouco ou nada usava de maquilhagem. Já ele continuava com aqueles músculos que nunca tinham desaparecido mas já não se notavam tanto quanto anos, mesmo assim, quando abraçava Mary ela sentia-se confortavelmente protegida.

Depois dos netos terem começado a crescer Mary e Bill tinham comprado uma casa no campo. Havia um jardim enorme com uma piscina e uns baloiços a um canto. A casa tinha vários quartos para que a família coubesse toda no mesmo espaço. Se algum dia Mary tivesse medo de ficar sozinha ela agora sabia que nunca iria conseguir. Tinha três filhos, cinco netos e o neto mais velho também já tinha idade para ser pai pelo que já estava à espera do primeiro bisneto.

Mary estava agora a lavar a roupa à mão, sempre era mais agradável assim do que a ouvir aquela máquina barulhenta que contorcia a roupa toda. Ela ainda era muito energética, Bill e ela corriam à beira mar para continuar com saúde. Diabetes ou doenças desse género não lhes chegavam ao sangue. Eram todos muito saudáveis.

Bill estava a ler o jornal no jardim em frente à piscina, tinha-se reformado há poucos meses e ainda não estava a lidar bem com a situação, porque nunca tinha gostado de estar parado. Ele olhou a mulher quando ela se endireitou e ficou algum tempo a olhar para a roupa, parecia perdida e confusa.

Mary olhou para trás desorientada e viu um sujeito mais velho a olhar para ela e estranhamente ela conseguia reconhecer-lhe alguns traços mas nunca associou a tal coisa. Nunca tinha estado naquele lugar sempre tinha vivido na cidade depois de adulta e ali não era a sua casa onde tinha nascido de certeza. Bill levantou-se e foi ter com Mary com uma expressão preocupada muito presente no seu rosto. Acariciou a bochecha da mulher como sempre fazia, mas ela  deu um passo para trás aos tremeliques e muito nervosa. 

-O que é que está a acontecer? Onde é que estou? - perguntou ela. Bill engoliu em seco, ele reconhecia aquela expressão assustada, tinha tentado combater contra ela desde que se tinha iniciado como médico, tinha sido por aquilo que tinha ficado oito anos separado da sua mulher e agora não podia fazer nada contra isso. - Quem és tu? - continuou Mary a fazer perguntas enquanto as lágrimas lhe caiam pela bochecha ligeiramente enrugada. Aquele homem que estava à frente dela parecia uma réplica mais velha de Bill, era o que ela pensava, mas na verdade era o que era. 

-Mary, tem calma.

-Como é que sabes o meu nome? - Gritou assustada e afastou-se do homem quando ele voltou a aproximar-se.

-Sou eu, o Bill. - levou as mãos ao peito falando mais alto para que ela tomasse atenção. Mary ficou a olha-lo fixamente durante algum tempo para depois começar a ficar mais lúcida e a sua expressão assustada começou a ficar menos presente. Confusa, olhou para marido e juntou as sobrancelhas.

-O que é que aconteceu? - perguntou. Bill fechou os olhos aliviado por não ter ficado sem memória durante muito tempo e aproximou-se de Mary abraçando-a. Mary abraçou-o também e fechou os olhos, sentia que algo não estava bem, algo não encaixava na cabeça dela faltava uma peça, não se tinha lembrado de parar de lavar a roupa. 

-Temos que ir ao médico - murmurou Bill.

 

E só falta um capitulo e vai ser o mais pequeno

Não acho que isto seja das melhores coisas que esteja a escrever mas ainda bem que estão a gostar.

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What is Love - Part V

Quinta-feira, 10.10.13

Década de 70


 

Bill e Mary tinham passado sete anos sozinhos e separados só se vendo sempre que os filhos faziam anos, sempre que havia uma festa de natal na cidade e na passagem de ano. Mary não tinha tido mais ninguém entretanto e agora já tinha 45 anos. Continuava com uma boa aparência apesar de já se notar algum cansaço, principalmente cansado vindo da tristeza que sentia por ter menosprezado o marido. Bill estava magoado, uma vez tinham tentado falar, mas ele disse que não o queria fazer, ela perguntou-lhe se ele tinha alguém e, orgulhoso como era mentiu dizendo que tinha, a partir daí as tentativas de falar com ele vindas de Mary pararam, apesar dela nunca o ter visto com ninguém. 
Hoje era aquele dia que Mary tanto falava, Anne Marie ia fazer dezoito anos e sair de casa, já tinha sido choro seguido de choro quando o mais velho tinha comprado uma casa para ele e para a mulher. Ela percebia, Anne Marie já tinha um namorado e agora que tinha atingido a maioridade queria sair de casa, mas sentia-se sozinha. Tinha afastado o ex-marido porque se ia sentir sozinha quando os filhos fossem embora de casa, mas agora ainda se sentia pior.

-Mãe, não fiques assim - suspirou Anne Marie dando uma festa na bochecha da mãe que já choramingava.

-Desculpa - pediu. Era mais forte que ela, ela sempre tinha sido muito chorona. Anne Marie sorriu.

-Não te vou deixar, eu venho ver-te - garantiu olhando para Frederic que estava à porta com as malas. Mary assentiu dando dois beijos à filha e abanou a mão. 

-Vai antes que eu mude de ideias - ambas se riram, apesar de Mary não ter vontade. Assim que o carro arrancou Mary olhou para aquela casa enorme e ao seu dispor, completamente para si. Talvez fosse hora de arranjar outro rapaz, mas não, ela não conseguia, ainda tinha muitos sentimentos por Bill, não o ia conseguir esquecer para o resto da sua vida. Estava a virar as costas para ir para a sala quando se ouviu um carro chegar. Juntou as sobrancelhas por não ver quem poderia ser e foi espreitar à janela sentindo o coração nas mãos quando viu que era Bill. Ela mordeu o interior da bochecha e mesmo antes dele bater à porta ela já a estava a abrir. Quando a viu, Bill hesitou um passo, mas logo continuou cruzando os braços ao peito à sua frente. 

-Eu atrasei-me, ela já foi? 

-Atrasaste-te com a tua mulher, foi? - perguntou Mary com um sorriso cínico, não se tinha conseguido conter. Bill sorriu dos ciúmes e abanou a cabeça.

-Não, eu não tenho nenhuma mulher, nunca tive, só te tive a ti - disse calmamente fazendo o coração da mulher bater mais depressa com a esperança de o voltar a ter, mas ele não ia querer depois de tudo. Baixou o olhar e assentiu.

-Ela já foi, desencontraram-se por pouco tempo - informou sentindo o seu queixo ser levante pelos dedos de Bill.

-Não gostei que menosprezasses o que fiz, mas tinhas razão é impossível - disse Bill. Ele tinha-se esforçado ao máximo para provar a Mary que estava errada, que era possível encontrar uma cura.

-Não - disse ela muito rapidamente já a olha-lo - não é impossível, só é pouco provável - sorriu um pouco e encostou-se à ombreira da porta para o deixar passar.

-Acreditas mesmo nisso? - perguntou ele enquanto entrava. Olhou em volta vendo que apesar de terem passado uns bons sete anos a casa continuava tal como ele tinha saído. Mary não disse nada enquanto o olhava, apenas assentiu para lhe responder. - Continuas muito bonita - disse ele passando os dedos pela bochecha da mulher. - E eu não gostava nada de te ver sozinha neste casa - Mary levantou o olhar para os olhos dele e fez um esforço para não sorrir.

-O que queres dizer com isso? - perguntou com o coração a bater muito rápido. 

-Deixas que volte para casa? -  Mary quase que lhe saltou para cima naquele momento, mas em vez disso resolveu desatar a chorar de novo, mas desta vez de felicidade. 

-Estúpido - murmurou já encostada ao peito dele e a ser abraçada por aqueles braços musculados que sempre lhe deram proteção - estúpido, estúpido, não deviamos ter passado tanto tempo afastados - disse limpando as bochechas - podias ter falado comigo quando quis, podias não ter mentido.

-Isso agora importa? Estamos juntos agora.  - Mary limpou mais uma vez as lágrimas e assentiu. 

-Então e agora? O que fazemos? - perguntou com um sorriso feliz. 

-Agora eu vou buscar as minhas coisas e... - ele olhou-a com um sorriso terno - queres casar comigo?

 

 

não ainda não tinha acabado ontem ^^ eu vou continuar até aos dias de hoje mais ou menos

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What is Love - Part IV

Quarta-feira, 09.10.13

Década de 60

 


-Anne Marie aqui! - Mary estava bastante séria a apontar para o lado dela enquanto a filha mais nova estava a correr pelo mini-mercado. A menina de dez anos foi ter com a mãe com um beicinho e de braços cruzados. - Tens que te comportar para irmos rápido para casa já sabes como anda o teu pai - desde que o pai de Bill tinha morrido, à cinco anos atrás, que Bill tinha entrado numa depressão perigosa, parecia estar agora nos anos dificeis da adolescência, mas não era para mais, o seu pai era so seu ídolo, Mary percebia-o mas isto já se andava a passar à muito tempo. Mary agarrou na boneca que Anne Marie queria, só lhe estava a da-la porque a outra tinha desaparecido, era óbvio que tinha sido o Tony para a gozar, mas agora com dezasseis anos já quase não passava tempo nenhum em casa, andava sempre com a namoradinha nova.

-Chegámos! - gritou Anne Marie quando chegou a casa correndo para o seu quarto para ir brincar com a boneca nova. Mary sorriu mas o seu sorriso começou a desaparecer assim que não se ouviu ninguém. Bill não estava em casa era certo, ela tinha-se tentado apressar ao máximo para chegar antes dele antes que reclamasse, mas a mãe de Mary tinha ido viver lá para casa assim que começou a ter um problema na coluna. De sobrancelhas juntas no cimo da cabeça ela foi pousar as compras na cozinha e foi até à sala onde a sua mãe passava quase todo o dia. Ela ainda não era muito velha, não tão velha quanto a mãe e o pai de Bill quando tinham morrido, mas os problemas que ela tinha não era um simples reumatismo. Era um problema muito mais grave, era um cancro naquela altura inoperavél. A mãe de Mary sabia disso mas tinha-lhe escondido o problema, queria morrer em paz e sabia que a filha ia obriga-la a tratar-se mesmo que fosse morrer. 

-Mãe - Mary tocou-lhe no ombro tenso e abanou-a ligeiramente, mas ela não abriu os olhos - mãe! - abanou-a com mais força e a primeira coisa que fez foi abrir-lhe os olhos para ver se a pupila reagia, mas não o fez. Mary estava orfã dos dois pais aos 38 anos de idade. Um pouco cedo demais, mas inevitável. - Não... - com o queixo a tremer Mary afastou-se do corpo já frio e pálido e abraçou-se a si própria. Ela não era burra, era enfermeira e apesar de já não exercer a profissão sabia muito bem que uma pessoa não morria assim de um momento para o outro quando se alimentava bem, quando o seu coração era forte. Quando se ouviu os passos de Anne Marie ela limpou as lágrimas muito apressadamente e foi até à porta da sala fechando-a e ficando no corredor à espera dela. 

-A avó? - perguntou ela olhando para a porta e depois para a mãe.

-A avó está a descansar, vai para o teu quarto - disse Mary com a voz chorosa, tentando acalmar-se ao máximo para que a filha não a visse naquela situação. Anne Marie era muito esperta e percebeu logo que alguma coisa não estava bem mas apenas assentiu e subiu as escadas com o coração a bater muito rápido. Mary encostou-se á porta e tapou a cara com as mãos enquanto as lágrimas lhe corriam pelas bochechas a baixo. Agora só tinha os filhos e Bill, se mais algum deles a deixassem era o fim dela. 

Ouviu-se uma porta bater mas ela não se preocupar, quer fosse Tony ou Bill eles já eram grandes e adultos o suficiente para perceber. Era Bill que estava a chegar do trabalho e que não vinha nada com boa cara, mas a sua expressão mudou logo quando a viu. Pousou a mala do trabalho no chão e aproximou-se dela sem dizer nada abraçando-a. Ela fez o mesmo chorando ao peito dele e apertou-lhe a camisa húmida nas suas mãos. - Não era só um problema na coluna - falou entre soluços - ela estava muito doente Bill - dizia ela agarrada ao marido.

-Eu sei - disse ele a dar festinhas no cabelo dela. Mary afastou-se e olhou-o indignada com os olhos vermelhos e as bochechas todas humidas.

-O quê? - perguntou ela - como é que tu sabes? O que é que tu sabes? - perguntou ela num tom chateado antes de o ouvir. Ele também ficou logo chateado, andava sensível por causa da depressão, como era de prever.

-Tem lá calma Mary eu sou médico eu sei os sintomas! - disse Bill um pouco mais alto chateado com o olhar reprovador que a mulher lhe mandava.

-Eu não tenho mais calma nenhuma. Tu sabias de tudo e não me disseste nada. Agora já nem me dizes nada, já nem és um pai para a Anne ela só me tem a mim e ao irmão. Passas a vida no teu trabalho e quando não estás no trabalho estás com o cu colado ao cadeirão no escritório. Já nem sequer estamos juntos como antes - Mary falava sem parar, sem dar qualquer tempo para que o marido falasse e ele, triste com as acusações apenas suspirou.

-Tu sabes que eu ando em investigação, estou...

-A descobrir a cura para o alzheimer como se isso fosse possível! - gritou-lhe Mary que de tão irritada estava vermelha. - Enquanto tu estás a investigar a minha mãe está a morrer e tu não me dizes nada - bateu com o pé no chão para não lhe bater a ele. 

-A avó está morta? - perguntou Anne Marie que tinha ouvido parte da discussão entre os dois. Mary ao perceber que a filha tinha ouvido caiu novamente no choro desta vez com os braços a agarrarem o seu próprio corpo para que se reconfortasse a si mesma. 

 

O funeral não tinha tido muita gente, Mary não queria a casa cheia de gente a comer da comida dela para o funeral da mãe, queria estar em paz com os dois filhos. Bill tinha estado presente, para variar, e até tinha tirado umas férias, mas Mary não conseguia esquecer que ele sabia de tudo e tinha deixado que a sua mãe morresse sem fazer nada. 

-Eu quero-te fora da minha vida - murmurou ela num momento de sofrimento agudo e puro. - E fora da vida da Anne - não podia falar do Tony que já tinha 16 e podia escolher racionalmente se se queria dar com o pai ou não. Bill estava sentado ao lado dela para a apoiar quando a ouviu. 

-O quê? - perguntou não porque não tinha ouvido, mas porque não percebia o porquê. Ela abanou a cabeça com lágrimas grossas a caírem. 

-Não estive presente estes últimos cinco anos, eu sei que estás aqui agora, mas daqui a dois dias não vai estar, vai voltar tudo ao mesmo, eu vou passar os dias sozinha com a Anne e assim que ela completar os vinte anos e tu continuares a trabalhar no teu trabalhozinho sobre Alzheimer eu vou estar sozinha - murmurou - completamente sozinha. - Bill estava estupfacto com o que estava a ouvir sair da boca da mulher. Nunca a tinha visto assim parecia que estava a menosprezar o seu trabalho quando ele só estava a tentar ajudar pessoas. 

-Sabes que mais? - perguntou enervado e de cabeça quente porque era óbvio que ele não queria isto, nem ele nem ela. - Eu vou embora, mas não me vou separar de Anne, nunca - levantou-se despois do grito que deu na última palavra e bateu com a porta de casa. Mary engoliu em seco e também as lágrimas e respirou fundo de forma trémula, mas rapidamente voltou ao choro.

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What is Love - Part III

Terça-feira, 08.10.13

Década de 50

 

 

Com a Grande Segunda Guerra Mundial assim que Tony completou os 18 anos foi chamado para o exército, não chegou a durar mais de dois meses lá. Mary e a mãe perderam os homens da casa no mesmo ano e nas mesmas circunstâncias. Foram anos dificeis para as duas, e durante um desses anos, Bill esteve a ajuda-las, a mãe tinha conseguido atrasar a entrada do filho na guerra, mas foi inevitável, ele teve mesmo que entrar. Felizmente foi mesmo nos últimos meses da mesma, ele conseguiu safar-se com alguns ferimentos graves mas não letais. Mary tratou das feridas dele, a sua sogra já estava muito velha para conseguir fazê-lo. 

Os anos foram passando e havia uma grande intimidade entre Mary e Bill, eles amavam-se verdadeiramente, não se largavam e faziam tudo juntos, agora que Mary tinha 26 anos decidiram casar. 

-Já não era sem tempo! - falou a mãe quando deram a notícia, tinha sido uma vergonha para todos quando Mary tinha tido o seu primeiro filho, Tony, e não tinha casado, mas eles não ligaram a nada. Para mostrar o que os dois sentiam não era preciso casar, apesar de ser um desejo da rapariga. - Parabéns aos dois. - abraçou a mãe de Mary os dois ao mesmo tempo. 

-Obrigada mãe - sorriu Mary com um sorriso de orelha a orelha.

-Então e já marcaram uma data? - perguntou entusiasmada e pegou no neto ao colo embalando-o nos braços.

-Queria que fossemos daqui a umas semanas, quando Mary fizesse anos - sorriu Bill.

E assim foi, Mary e Bill casaram-se no dia do 27º aniversário da mulher. Tony foi o menino das alianças, ambos acreditavam que ele era o reencarnação do tio, ele era um terrorista como ele. Os primeiros dias do casamento foram muito felizes, estava tudo a correr bem e Mary estava de novo grávida, tinha sido felicidade total para toda a família, principalmente para a mãe de Bill que dizia já não durar muito e queria ver uma netinha na família. No entanto, algo não correu bem nos últimos meses do ano.  Já era quase Natal, Tony andava a correr de um lado para o outro contente por saber que ia receber muitas prendas.

-Bill? - Mary chamou o marido que tinha ido ao sotão arranjar o telhado. Este ano o inverno estava a ser bastante rigoroso e os ventos juntamente com o granizo tinha partido vidros e o telhado. A chuva tinha arranjado cheias e infiltrações, mas não era nada de grave. - Bill? - voltou a chamar Mary já a subir as escadas por ele não ter respondido. Quando chegou ao andar superior sentiu o seu coração apertar-se. Bill estava desmaiado no chão e o escadote em que tinha estado a arranjar o telhado estava em cima dele. Mary colocou-se de joelhos a seu lado, já com uma barriga grande da gravidez. - Bill, Bill acorda - fez um esforço para lhe tirar o escadote de cima e assim que conseguiu olhou para o corpo do marido. Ele respirava, ele estava vivo. Mary respirou fundo para não se descontrolar e passei os dedos pelo cabelo de Bill pedindo-lhe baixinho para que ele acordasse. As lágrimas já corriam pela cara dela a baixo quando ele começou a abrir os olhos. - Oh meu deus - agarrou-se a ele a fungar e quase sem folgo, ele gemeu com a dor da pancada que agora só conseguia sentir. 

-Mary - chamou por ele atordoado. 

-Eu estou aqui - passou-lhe as mãos pela cara toda só para garantir que ele ali estava beijando-lha de seguida - Estás bem? Dói-te alguma coisa? o que é que aconteceu? - perguntou Mary limpando as lágrimas.

-A minha perna falhou - Bill tinha ficado ferido na guerra, tinha estado prestes a morrer com uma infecção e as coisas nunca foram as mesmas depois disso, mas tinha recuperado graças a Mary que tinha estado enfermagem e tinha sido muito boa companhia. 

-Pronto, está tudo bem agora - murmurou ela dando-lhe uma festinha na bochecha - como te sentes? - perguntou ajudando-o a sentar-se.

-Tonto, mas fico bem - sorriu para a descançar. Ela sorriu e abraçou-o fazendo uma careta quando sentiu uma dor mais forte. Reconhecia aquilo.

-Aiaiai - gemeu agarrando-se à barriga - vai nascer - fechou os olhos.

 

O próximo vai ser amanhã ou no próximo dia

Isto é algo muito breve e inspirado numa história veridica, mas espero que gostem, foi só para atualizar.

Desculpem alguns erros

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What is Love - Parte II

Segunda-feira, 07.10.13

Década de 40

 

 

Agora com 17 anos Mary passou a escova pelos seus grandes cabelos ondulados dourados. Com a guerra tinha aparecido a tendência de cortar o cabelo curto, mas ela não conseguia, apenas a sua mãe tinha aderido à moda. Suspirou, mesmo lindo, faltava ali algo, parecia que o cabelo não tinha brilho. 

-Mary, vem ou ficas sem boleia - gritou o irmão das escadas. Ajeitou a sua saia e pegou na sua pequena mala descendo as escadas com cuidado. Tony levantou uma sobrancelha quando viu a irmã toda arranjada, mas não comentou nada. Ele, desde que tinha arranjado uma namorada, estava muito mais suportável. 

-Já podemos ir - Agarrou no braço do irmão quando chegou ao pé dele e ambos dirigiram-se até ao carro do mais velho, tinha sido adquirido pelo pai, não era nada novo nem que passasse dos quarenta quilometros por hora, mas era algo fascinante para os mais jovens. Ambos entraram no carro e Tony arrancou. Tinham uma festa de anos, Bill fazia os dezoito e queria festejar com os amigos mais chegados num café. Mary não tinha sido convidada, mas tinha implorado a Tony que a levasse. Só ele sabia da paixão da irmã pelo melhor amigo, ela tentava disfarçar, mas mal Bill aparecia no campo de visão de Mary os olhos dela ficavam cheios. 

-Graças a ti já estamos atrasados - resmungou Tony estacionando à porta do café, que tinha esplanada, e a um canto estava lá Bill mais dois casais. Mary tinha-se informado, ele não tinha namorada. Marota como era, Mary foi à frente do irmão até à mesa onde eles estavam.

-Bom dia - cumprimentou todos com um sorriso e quando o seu olhar se encontrou com o do amado ela mostrou um grande sorriso - parabéns Bill. - Bill abriu muito os olhos levantando-se para cumprimentar a irmã de Tony e deu-lhe um beijo na mão. 

-Obrigado Mary - agradeceu. Mary sentiu o seu coração acelerar a cada momento. Ele estava tão perto e ela não podia fazer nada. - Vieste com o Tony? - perguntou intrigado, visto que não a tinha convidado. Antes que pudesse responder Tony precipitou-se.

-Ela praticamente me obrigou a deixa-la vir - disse sentando-se num banco depois de cumprimentar todos. A rapariga arregalou os olhos e sentiu-se corar, agora queria enfiar-se dentro de um buraco e nunca mais de lá sair. 

-Não.. eu só queria sair um pouco de casa e como soube que fazias anos - ela mordeu o interior do lábio tentando disfaçar o nervosismo. Tony sorriu matreiramente com a atrapalhação da irmã e bateu com uma mão na outra. 

-Tenho fome, o que vamos comer? - perguntou o irmão mais velho. Bill acabou também por se sentar, mas não antes de puxar a cadeira para que Mary o fizesse também. Tanto tempo com Tony e conseguia ser mais bem educado que ele. Tony não era o rapaz mais educado dali, mas Patricia, a rapariga que o namorava, achava-lhe piada e ria-se com a parvoíce dele. 

Mary já tinha acabado de comer o lanche que tinha pedido quando sentiu Bill a tocar-lhe no cabelo, totalmente distraído enquanto todos os outros falavam entre si. Ela olhou-o de sobrancelhas levantadas e juntas no topo da testa e ele, ao aperceber-se do que tinha feito, endireitou-se na cadeira com as bochechas ligeiramente avermelhadas.

-Desculpa, tinhas uma coisa aí - apontou para o cabelo, ligeiramente atrapalhado e ela sorriu abanando a cabeça como que a dizer-lhe que não fazia mal.

-Queres dar uma volta? - perguntou num folgo. O rapaz, surpreendido, fez a mesma cara que tinha feito quando Mary com apenas oito anos perguntou se queria jogar com ela. Mary arrependeu-se imediato da sua expressão séria e estava mesmo para se levantar e sair dali quando Bill assentiu com um sorriso.

-Vamos.


Bill estava a tremer com o nervosismo, ele era um pouco timido apesar de não o demonstrar, principalmente com raparigas.

-O teu cabelo cheira mesmo bem - disse ele fazendo depois uma careta. Conhecia-a desde pequeno, tinha crescido juntamente com ela, apesar de não se terem aproximado muito enquanto o faziam. Mary riu-se com o elogio e sentou-se no banco de jardim que havia, ajeitando a sua saia. 

-O teu também. - murmurou enquanto mordia o lábio para evitar corar, mas isso não aconteceu. Bill arrancou uma flor que estava a nascer ao lado do banco e colocou-a na orelha com um sorriso timido. Aquilo estava estranho entre os dois, ambos se conheciam há tanto tempo e só agora, dezassete anos dois é que estavam os dois juntos. 

Pensando que ia aliviar o ambiente, Bill agarrou cuidadosamente na mão de Mary e acariciou-a enquanto a olhava. - Eu gosto de ti - admitiu ainda a olhar o anel de Mary, que tinha sido dado pela sua avó. - Há muito tempo.

A primeira reação que Mary teve foi suster a respiração enquanto olhava Bill sem conseguir dizer nada. - Eu também - murmurou ela abrindo um sorriso abraçando-o num impulso.

 

Proxima parte amanhã ou quarta


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What is Love - Part I

Sábado, 05.10.13

Década de 30




-Dá-lhe o chupa Antony! - ralhou a mãe, mulher de casa, que apenas se dedicava a cuidar da casa dos filhos e da família. A mulher levou as mãos, já irritada pelo filho mais velho não dar o chupa à irmã que estava a correr atrás dele. - Pára Mary! Parem os dois - mandou. Assim que agarrou no colarinho do filho tirou-lhe o chupa da boca e dei-o à irmã que sorriu mimada. Bill ria-se da tolice do amigo com a irmã. Tinham apenas nove, a menina tinha oito. 

-Para a próxima também quero - resmungou o mimado do irmão mais velho. 

-Ela fez os trabalhos de casa, vocês os dois deviam ir fazer o mesmo - sugeriu a mãe tentando fazer o filho aplicar-se, mas sem sucesso.

-Eu e o Bill vamos andar de bicicleta até à loja - a mãe abanou a cabeça - eu faço mãe. - garantiu Tony. Mary sorriu, sabendo que não seria verdade, mas não disse nada. Bill olhou para ela apercebendo-se do sorriso.

-Também queres ir Mary? - perguntou ele muito educado e mesmo antes que ela pudesse responder, a mãe fê-lo por ela. 

-A Mary vai ajudar-me na lida da casa, desculpem rapazes. - Ela suspirou e sentou-se no sofá ficando a morder o pau do chupa que a mãe lhe tinha oferecido - Tony, quero-te aqui às seis, ou ficas de castigo! - ameaçou a mãe. O rapaz assentiu com a cabeça começando a correr para fora de casa onde estavam as bicicletas. Mary soltou um suspiro por não poder ir e foi para a cozinha com a mãe ajuda-la com as coisas.

-Mãe, agora que já acabei posso ir ter com o Antony e com o Bill? - perguntou Mary depois de acabar de ajudar a mãe a arrumar a cozinha. Ela olhou-a desconfiada.

-Porque é que não vais antes ter com a Charlotte, ela deve estar em casa a esta hora - Mary fez um sorriso maroto, juntou as mãos e abanou a cintura para os lados com as bochechas a corar.

-Mas eles são mais divertidos - a mãe deu uma risada e assentiu.

-Vai lá ter com eles, porta-te bem. - Com um sorriso Mary foi aos saltinhos até à rua. Eles estavam a jogar à bola no pátio, ambos não tinham jeito nenhum, mas adoravam. Mary detestava, achava um desporto violento.

-Devias estar a fazer o teu trabalho de casa Tony - disse enquanto corria até eles, falando com algum trocismo na voz.

-Deixa-me, estamos a jogar. - Bill olhou para Mary que ficou com uma expressão menos alegre no seu rosto, devido à resposta do irmão.

-Queres jogar? Já não me está a apetecer - Mary mordeu o lábio com um sorriso e aproximou-se vendo Tony revirar os olhos. 

-Não, mas podes vir brincar comigo, eu tenho um jogo de tabuleiro novo. - Bill ficou muito sério e olhou a irmã do melhor amigo.

-Eu tenho que ir embora - disse ele, Mary baixou o olhar para os pés, desiludida e suspirou baixinho vendo o amigo do irmão sair. Ao sentar-se nas escadas do irmão este ficou com uma expressão irritada. 

-Eu estava a divertir-me! Estragas sempre tudo! - Tony era tão pequeno e já conseguia ter um ar tão assustador, uma veia na testa quase que saltava. De olhos arregalados, Mary levantou-se saiu a correr para o quarto com os olhos cheios de lágrimas. Ela não queria ter sido má.

 

próximo sai amanhã ou segunda.

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  • Helena Pinto

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