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Stardust - Capitulo I - O idiota

Domingo, 08.12.13

Idiota

 

 

                -Não sei o que vou fazer com ele – disse eu com um suspiro para Rebecca, que me olhava com aquele olhar querido tentando arranjar uma frase que me ajudasse, mas eu sabia que não valia de nada, estava apenas a falar para o boneco. Ela podia ser como uma irmã para mim e  parecia ter os conselhos perfeitos para tudo, mas ela não estava de acordo comigo. Não desta vez. – Eu acho que vou mesmo acabar com ele – passei as mãos pela cara esfregando os olhos. Rebecca suspirou abanando a cabeça – ele vai compreender.
                -Tens a certeza que conheces o meu irmão? – perguntou-me ela logo de uma vez fazendo-me lançar a cabeça para trás.

                -Se eu não sinto aquilo – gesticulei com as mãos junto da minha barriga e voltei a olhar Becca com um suspiro frustrado – ele vai compreender. Eu vou falar com ele e ele vai compreender – sorri de modo a convencer, mas ela apenas se levantou.
                -Vou andando Bea. – Ela não estava chateada, só estava preocupada por ultimamente me ter metido em muitas alhadas e ele ainda ser a única coisa boa que eu tinha. Ele ainda podia continuar a ser a única coisa boa que eu tinha, apenas de outra forma.
                -Por favor não lhe contes –
pedi juntando as duas mãos e levando-as perto do queixo enquanto a olhava.

                -Não! – ela abanou a cabeça com os olhos arregalados – é que não conto mesmo, prefiro que sejas tu a aguentar – disse ela e depois de um beijinho na bochecha saiu do meu quarto e alguns segundos depois já estava na rua. Levantei-me para ir limpar o meu quarto que estava uma confusão, cheio de garrafas, copos e caixas de pizzas. A verdade era que para além do que tínhamos comido hoje, nos últimos dias tinha vindo tudo a acumular, não tinha tido tempo para limpar nada. Depois de já estar tudo num brinco, fui sentar-me no parapeito da minha janela que fazia de sofá e fiquei a olhar para o mar. Era noite cerrada, já devia passar das onze, mas dali conseguia ver a espuma esbranquiçada a roçar na areia e, por vezes, o holofote giratório do farol deixava ver mais do que isso. Eu gostava de viver ali, mas já tinha gostado mais, quando era criança e a casa estava cheia era tudo muito mais divertido.
                Não tinha sono, mas já era tarde e tinha aulas, era o meu último ano e não me podia estar a correr pior. Fui deitar-me depois de vestir uma camisola de alças e uns calções, para dormir confortável, e estava a adormecer quando ouvi um grito que me fez sentar na cama. Olhei em volta apesar de saber que não tinha sido ali, no meu quarto, e agarrei-me à minha almofada com o coração a bater descompassadamente. Todo o meu corpo estremeceu quando o grito se fez de novo ouvir e desta vez parecia uma voz mais normal, mas aflita de igual forma. Tive que ganhar forças para me levantar e fui até à janela espreitando para onde achava que tinha ouvido a voz. Agarrei-me ao parapeito da janela ficando a olhar para o mar e foi quando o holofote do farol apontou para o mar que eu vi alguém a espernear. Levei a mão à boca, completamente em choque e saí de casa, sabendo que já não havia perigo, não ia ser assaltada, nem estava acontecer nenhum homicídio ali, era apenas um idiota qualquer que tinha-se aventurado a ir para o mar a estas horas da noite. Saí pelas traseiras e corri pela praia até sentir os meus pés ficarem molhados, depois, parei. Olhei em volta esperando até a luz apontar para o mar e só aí me atirei à água. Era boa nadadora, tinha ganho várias competições, havia uma caixa cheia de medalhas e taças no sotão, mas nadar no mar durante a noite não era o mesmo que durante o dia, não conseguia ver nada. Os meus ossos estavam a gelar e a cada movimento doíam mais, mas apenas continuei a nadar, não ia deixar ninguém morrer na minha praia. Quando comecei a ouvir os gritos aflitivos cada vez mais perto nadei mais rápido até conseguir alcançar uma mão de alguém. Agarrei-a e puxei-a na minha direcção, era um rapaz, conseguia sentir os músculos rijos dele debaixo das minhas mãos. Perguntava-me como é que uma pessoa tão grande podia estar neste estado. Puxei–o  para cima de modo a que conseguisse respirar. Ele parecia ainda estar em choque, ainda se remexia com as pernas e com os braços, quase me dando com eles na cara.
                -Tem calma – gritava eu tentando voltar a terra, mas com ele daquela maneira ainda me atrasava mais. – Se te continuares a debater vamos os dois morrer aqui – gritei-lhe aos ouvidos e ele deve ter finalmente voltado a si por acalmou, ficando apenas o som da sua respiração aflita e o som das ondas. Estávamos perto. Continuei a nadar, puxando-o com uma mão e sorri ao sentir o meu corpo parar na areia, assim como o dele. Como ele estava consciente apenas me deitei a seu lado, com a respiração acelerada e com a adrenalina ainda a tomar conta do meu corpo. Quando recuperei olhei para o rapaz que tinha resgatado, parecia mais morto do que vivo, mas ia ficar bem.  – Mas o que é que te deu para vires nadar a estas horas da noite? – perguntei, agora sim estava irritada, eu tinha tendência a armar-me em heroína e hoje podia ter morrido juntamente com ele. E o pior é que não percebia, se fosse um grupo de amigos idiotas eu ia perceber, mas ele estava sozinho. – Podias ter morrido – continuei no mesmo tom – e eu podia ter morrido também! – Sentei-me na areia ficando a olhar para o rapaz que estava com o cabelo castanho claro molhado e espalhado pela testa e os lábios inchados e roxos devido ao frio. Não o conseguia ver bem, só quando a luz passava por nós, mas era um momento muito breve. 
                -Então ainda bem que estamos os dois vivos – disse ele ao fim de algum tempo, quando conseguiu parar de tremer e recuperar a voz. Aos poucos ele foi-se levantando enquanto eu continuava na mesma posição, a olha-lo, incrédula.
                -A sério? Nem vais agradecer por te ter salvo a vida? – levantei-me também, com as pernas bambas sem conseguir parar de tremer.
                -Não fiques tão convencida, não és assim tão heroína como pensas – disse ele subindo as rochas do quebra-mar e desaparecendo da minha visão.
                -Otário – resmunguei entredentes e quando arranjei forças levantei-me para voltar para casa – se eu soubesse ficavas ali a afogar-te – gritei-lhe mesmo sabendo que ele já devia estar longe dali.

Entrei em casa suspirando com o quentinho que ela emanava graças ao aquecimento central. Fui o mais rápido que pude até à casa de banho e enfiei-me debaixo de um chuveiro tentando esquecer o que se tinha passado, mas era impossível. Ainda por cima, por causa dele, só ia dormir umas três horas, era dificil para mim adormecer durante a noite. Ia andar a morrer para a vida durante as aulas, já me conhecia o bastante, para saber que ia adormecer. Sim, porque nas aulas não era nada difícil adormecer. Caí exausta na cama e ainda tive algum tempo a pensar no otário do rapaz que tinha salvo, mas lá adormeci e, felizmente, não sonhei com nada.

 

Próximo capitulo:

 

-Bom dia turma – falou o director sem sorrisos. – Tenho a apresentar-vos o vosso mais recente membro, David Black, quero que alguém fique encarregue de lhe mostrar o resto da escola e de o ajudar em qualquer problema. Há alguém que se queira voluntariar? – perguntou o director que parecia com mais pressa do que o normal.  – Muito bem, Beatrice ficas tu com essa missão.

(...)

-Acho que precisas de me mostrar onde é o bar – disse ele com um sorriso perfeito na boca. -Como é que te vou encontrar para fazer o trabalho? – perguntou-me. (...)-Como é que te vou encontrar para fazer o trabalho? (...)

 

Espero que tenham gostado, eu vou tentar postar mais vezes agora que já estou praticamente de férias.

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Stardust - Prólogo

Sexta-feira, 29.11.13

Prólogo


Quando ouvimos o som de uma ambulância ao longe, sabemos que ela vai ajudar alguém, isto, se chegar a tempo. Nunca pensamos que podemos conhecer a pessoa que está em apuros. Que alguém que nós conhecemos pode estar morto ou a morrer.
                 Eu estava na baixa da minha cidade, com a minha melhor amiga, Rebecca, a comprar roupa para o meu armário já cheio e atolado, quando ouvi o som da ambulância. Lembro-me de ficar preocupada com a velocidade a que ia, devia ser mesmo algo grave, mas não liguei mais, entrei na loja e fui gastar o resto da minha mesada.
                Quando cheguei a casa disseram-me que a minha mãe tinha sido atropelada por um camião. A ambulância tinha sido para ela. A minha mãe estava morta. Eu estava sozinha, nem os lares me queriam porque já tinha passado do limite de idade. Tinha que me desenrascar sozinha, procurar um emprego e sobreviver.
                Quanto à minha mãe muitos diziam que tinha sido suicídio, mas eu não conseguia pensar assim, ela andava sempre com um sorriso na cara, apesar de me ter criado sozinha, sem aceitar qualquer ajuda. Éramos só eu e ela. Mas, no dia em que consegui entrar em casa para ir buscar algumas coisas para levar para a de Rebecca, onde estava a passar uns tempos, vi em cima da minha mesa-de-cabeceira um envelope com o meu nome. Havia um bilhete que dizia uma palavra numa letra muito cheia e redonda: “Desculpa.” Embrulhado a isso vinha um colar, um colar que nunca tinha visto nela, tinha o fio de prata e um coração pequeno com um rubi no meio da mesma forma. Só quando vi isso é que percebi que os rumores eram verdade, ela tinha-se mandado para a frente de um camião porque sabia que era a maneira mais fácil de morrer. Ela tinha-se mesmo suicidado.
                 Agora, dois anos depois, não consigo continuar com a minha vida, as minhas memórias ficam presas naquele bilhete e no colar todos os dias e sei que isto tudo só vai passar quando eu descobrir o que é que aconteceu com a minha mãe. Eu vou descobrir.

 

_________________________________________

 

Eu venho sempre mais tarde do que digo.

O que interessa é que apareço.

Trago o prólogo. Não está grande coisa tenho a dizer, eu tento fazer alguma coisa de jeito que seja realista, mas nunca sinto que esteja realmente bom, mas pronto, aqui está.

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Stardust

Sexta-feira, 15.11.13

Estive este tempo todo, (desde a minha última aparição), a tentar que a história que já tinha feito antes ficasse ao meu gosto, mas acabei por desistir por isso vou começar a escrever algo baseado nela, mas um pouco mais diferente. 

 

Pode ser que para a semana saia alguma coisa.

 

btw, vai ter mais ideias estúpidas,  mas acho que já estão habituados com isso vindo de mim

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Broken hearted

Terça-feira, 29.10.13

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Warmness on the soul

Domingo, 13.10.13

Depois de acabar esta one-shot venho aqui pedir desculpa mais uma vez por não ter aparecido o verão inteiro. Muito sinceramente, não sei porque é que o fiz, ou melhor, porque é que não o fiz.

Penso que só tenho inspiração quando estou em época de aulas ou quando estou ocupada, porque já o ano passado foi a mesma coisa. Isto complica-me a vida, mas também me deixa ligeiramente mais feliz.

 

Como não tenho tempo o suficiente para começar uma história do zero eu decidi "reeditar", se é que assim se pode chamar uma história que eu já fiz há algum tempo. 


Para quem me segue há algum tempo sabe que eu sou fascinada por sobrenatural (não é a série é mesmo o tema) e eu gosto muito de inventar, enfim, para mim nunca sai algo verdadeiramente como eu quero, mas pelos comentários positivos que tenho parece que pelo menos é alguma coisa que dá para entreter. 

 

Isto tudo, para dizer, que vou voltar a postar "Warmness on the soul", para quem já leu, eu aconselho a ler, eu vou mudar algumas coisas que já não goste, visto que já a escrevi e postei aqui (noutro blog) em 2011. 

Não me perguntem porquê mas tenho especial saudade neste história.

Bem, eu adoro-vos mesmo que me odeiem, beijinhos. 

 

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What is Love - Part VII

Domingo, 13.10.13

2010

 

Em dez anos tudo tinha piorado. Mary tinha marcado logo uma consulta com um neurologista no hospital da filha do meio, mas nada podiam fazer a não ser dar-lhe alguns medicamentos para retardar a doença. Cada vez mais Mary tinha ataques de pânico por não saber onde estava, ela estava perdida, não existia mais aquela mulher saudável e sempre bem disposta, pronta a fazer tudo, com o seu estado mental a detrioriar-se também o físico sofreu algumas lesões. Numa das piores perdas de memória que teve Mary descuidou-se caindo de um escadote onde se tinha empoleirado para limpar umas prateleiras já sujas. Quando acordou com a perna partida, já no hospital, Mary sorriu ao marido e disse.

-Desta vez foste tu a socorrer-me - aquelas palavras não eram agradáveis mas significavam algo bom ela lembrava-se do dia em que Bill tinha caído de um escadote a baixo para arranjar o telhado. Porém, depois desse dia tudo foi pior, a perna dela nunca mais foi a mesma, ela nunca mais conseguiu andar tão bem e a idade cada vez mais lhe pesava. Os filhos ajudavam, mas eles também tinham a sua família e os seus trabalhos, não podiam fazer muito mais pela mãe, Bill passava todo o dia com ela a tentar move-la de um lado para o outro, a tentar que ela se lavasse sem que gritasse e o começasse a chamar de pervertido sem o reconhecer. A vida não estava fácil para nenhum dos dois, mas quando um vizinho passou na rua e lhe perguntou como é que ele conseguia suportar um fardo tão grande ele apenas respondeu.

-Não é fardo nenhum, depois de tanta coisa que ela fez por mim, eu só estou a retribuir, eu amo-a.


Eu disse que este era mais pequenino, muito mais pequenino. 

A história foi especialmente inspirada num video que eu viu, que se chamava "What is Love" eu pensava que o tinha guardado, mas afinal não o guardei e agora não o encontro.. Não foi a melhor coisa que escrevi mas deu para atualizar.

beijinhos

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What is Love - Part VI

Sábado, 12.10.13

Século XXI


 

Mary e Bill casaram-se e surpreendentemente tiveram outro bebé. Tinha sido complicado por Mary já ter 46 anos; a gravidez tinha sido dura e o parto foi doloroso até porque Jonathan tinha nascido prematuramente. Felizmente, a medicina estava muito evoluída e ele tinha conseguido sobreviver. Agora já tinha 21 anos tinha ido viver para outro país mais a mulher de quem tinha um filho. Os filhos mais velhos estavam todos encaminhados na vida, Anne Marie tinha seguido as pegadas do pai e estava a exercer medicina num dos hospitais mais conceituados. Tony estava no exército, tinha uma nova mulher e já contava com três filhos, o mais novo tinha agora três meses.

Estávamos no início do ano 2000, já tínhamos passado o século XX e agora estávamos no novo milénio. A vida de Mary e Bill estava a ser um conto de fadas desde que tinham voltado a juntar-se, agora já mais velhos, Mary tinha 67 e Bill 68. Ela continuava bonita, era uma senhora extremamente bela, como aquelas actrizes de cinema, a diferença é que ela pouco ou nada usava de maquilhagem. Já ele continuava com aqueles músculos que nunca tinham desaparecido mas já não se notavam tanto quanto anos, mesmo assim, quando abraçava Mary ela sentia-se confortavelmente protegida.

Depois dos netos terem começado a crescer Mary e Bill tinham comprado uma casa no campo. Havia um jardim enorme com uma piscina e uns baloiços a um canto. A casa tinha vários quartos para que a família coubesse toda no mesmo espaço. Se algum dia Mary tivesse medo de ficar sozinha ela agora sabia que nunca iria conseguir. Tinha três filhos, cinco netos e o neto mais velho também já tinha idade para ser pai pelo que já estava à espera do primeiro bisneto.

Mary estava agora a lavar a roupa à mão, sempre era mais agradável assim do que a ouvir aquela máquina barulhenta que contorcia a roupa toda. Ela ainda era muito energética, Bill e ela corriam à beira mar para continuar com saúde. Diabetes ou doenças desse género não lhes chegavam ao sangue. Eram todos muito saudáveis.

Bill estava a ler o jornal no jardim em frente à piscina, tinha-se reformado há poucos meses e ainda não estava a lidar bem com a situação, porque nunca tinha gostado de estar parado. Ele olhou a mulher quando ela se endireitou e ficou algum tempo a olhar para a roupa, parecia perdida e confusa.

Mary olhou para trás desorientada e viu um sujeito mais velho a olhar para ela e estranhamente ela conseguia reconhecer-lhe alguns traços mas nunca associou a tal coisa. Nunca tinha estado naquele lugar sempre tinha vivido na cidade depois de adulta e ali não era a sua casa onde tinha nascido de certeza. Bill levantou-se e foi ter com Mary com uma expressão preocupada muito presente no seu rosto. Acariciou a bochecha da mulher como sempre fazia, mas ela  deu um passo para trás aos tremeliques e muito nervosa. 

-O que é que está a acontecer? Onde é que estou? - perguntou ela. Bill engoliu em seco, ele reconhecia aquela expressão assustada, tinha tentado combater contra ela desde que se tinha iniciado como médico, tinha sido por aquilo que tinha ficado oito anos separado da sua mulher e agora não podia fazer nada contra isso. - Quem és tu? - continuou Mary a fazer perguntas enquanto as lágrimas lhe caiam pela bochecha ligeiramente enrugada. Aquele homem que estava à frente dela parecia uma réplica mais velha de Bill, era o que ela pensava, mas na verdade era o que era. 

-Mary, tem calma.

-Como é que sabes o meu nome? - Gritou assustada e afastou-se do homem quando ele voltou a aproximar-se.

-Sou eu, o Bill. - levou as mãos ao peito falando mais alto para que ela tomasse atenção. Mary ficou a olha-lo fixamente durante algum tempo para depois começar a ficar mais lúcida e a sua expressão assustada começou a ficar menos presente. Confusa, olhou para marido e juntou as sobrancelhas.

-O que é que aconteceu? - perguntou. Bill fechou os olhos aliviado por não ter ficado sem memória durante muito tempo e aproximou-se de Mary abraçando-a. Mary abraçou-o também e fechou os olhos, sentia que algo não estava bem, algo não encaixava na cabeça dela faltava uma peça, não se tinha lembrado de parar de lavar a roupa. 

-Temos que ir ao médico - murmurou Bill.

 

E só falta um capitulo e vai ser o mais pequeno

Não acho que isto seja das melhores coisas que esteja a escrever mas ainda bem que estão a gostar.

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What is Love - Part V

Quinta-feira, 10.10.13

Década de 70


 

Bill e Mary tinham passado sete anos sozinhos e separados só se vendo sempre que os filhos faziam anos, sempre que havia uma festa de natal na cidade e na passagem de ano. Mary não tinha tido mais ninguém entretanto e agora já tinha 45 anos. Continuava com uma boa aparência apesar de já se notar algum cansaço, principalmente cansado vindo da tristeza que sentia por ter menosprezado o marido. Bill estava magoado, uma vez tinham tentado falar, mas ele disse que não o queria fazer, ela perguntou-lhe se ele tinha alguém e, orgulhoso como era mentiu dizendo que tinha, a partir daí as tentativas de falar com ele vindas de Mary pararam, apesar dela nunca o ter visto com ninguém. 
Hoje era aquele dia que Mary tanto falava, Anne Marie ia fazer dezoito anos e sair de casa, já tinha sido choro seguido de choro quando o mais velho tinha comprado uma casa para ele e para a mulher. Ela percebia, Anne Marie já tinha um namorado e agora que tinha atingido a maioridade queria sair de casa, mas sentia-se sozinha. Tinha afastado o ex-marido porque se ia sentir sozinha quando os filhos fossem embora de casa, mas agora ainda se sentia pior.

-Mãe, não fiques assim - suspirou Anne Marie dando uma festa na bochecha da mãe que já choramingava.

-Desculpa - pediu. Era mais forte que ela, ela sempre tinha sido muito chorona. Anne Marie sorriu.

-Não te vou deixar, eu venho ver-te - garantiu olhando para Frederic que estava à porta com as malas. Mary assentiu dando dois beijos à filha e abanou a mão. 

-Vai antes que eu mude de ideias - ambas se riram, apesar de Mary não ter vontade. Assim que o carro arrancou Mary olhou para aquela casa enorme e ao seu dispor, completamente para si. Talvez fosse hora de arranjar outro rapaz, mas não, ela não conseguia, ainda tinha muitos sentimentos por Bill, não o ia conseguir esquecer para o resto da sua vida. Estava a virar as costas para ir para a sala quando se ouviu um carro chegar. Juntou as sobrancelhas por não ver quem poderia ser e foi espreitar à janela sentindo o coração nas mãos quando viu que era Bill. Ela mordeu o interior da bochecha e mesmo antes dele bater à porta ela já a estava a abrir. Quando a viu, Bill hesitou um passo, mas logo continuou cruzando os braços ao peito à sua frente. 

-Eu atrasei-me, ela já foi? 

-Atrasaste-te com a tua mulher, foi? - perguntou Mary com um sorriso cínico, não se tinha conseguido conter. Bill sorriu dos ciúmes e abanou a cabeça.

-Não, eu não tenho nenhuma mulher, nunca tive, só te tive a ti - disse calmamente fazendo o coração da mulher bater mais depressa com a esperança de o voltar a ter, mas ele não ia querer depois de tudo. Baixou o olhar e assentiu.

-Ela já foi, desencontraram-se por pouco tempo - informou sentindo o seu queixo ser levante pelos dedos de Bill.

-Não gostei que menosprezasses o que fiz, mas tinhas razão é impossível - disse Bill. Ele tinha-se esforçado ao máximo para provar a Mary que estava errada, que era possível encontrar uma cura.

-Não - disse ela muito rapidamente já a olha-lo - não é impossível, só é pouco provável - sorriu um pouco e encostou-se à ombreira da porta para o deixar passar.

-Acreditas mesmo nisso? - perguntou ele enquanto entrava. Olhou em volta vendo que apesar de terem passado uns bons sete anos a casa continuava tal como ele tinha saído. Mary não disse nada enquanto o olhava, apenas assentiu para lhe responder. - Continuas muito bonita - disse ele passando os dedos pela bochecha da mulher. - E eu não gostava nada de te ver sozinha neste casa - Mary levantou o olhar para os olhos dele e fez um esforço para não sorrir.

-O que queres dizer com isso? - perguntou com o coração a bater muito rápido. 

-Deixas que volte para casa? -  Mary quase que lhe saltou para cima naquele momento, mas em vez disso resolveu desatar a chorar de novo, mas desta vez de felicidade. 

-Estúpido - murmurou já encostada ao peito dele e a ser abraçada por aqueles braços musculados que sempre lhe deram proteção - estúpido, estúpido, não deviamos ter passado tanto tempo afastados - disse limpando as bochechas - podias ter falado comigo quando quis, podias não ter mentido.

-Isso agora importa? Estamos juntos agora.  - Mary limpou mais uma vez as lágrimas e assentiu. 

-Então e agora? O que fazemos? - perguntou com um sorriso feliz. 

-Agora eu vou buscar as minhas coisas e... - ele olhou-a com um sorriso terno - queres casar comigo?

 

 

não ainda não tinha acabado ontem ^^ eu vou continuar até aos dias de hoje mais ou menos

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What is Love - Part IV

Quarta-feira, 09.10.13

Década de 60

 


-Anne Marie aqui! - Mary estava bastante séria a apontar para o lado dela enquanto a filha mais nova estava a correr pelo mini-mercado. A menina de dez anos foi ter com a mãe com um beicinho e de braços cruzados. - Tens que te comportar para irmos rápido para casa já sabes como anda o teu pai - desde que o pai de Bill tinha morrido, à cinco anos atrás, que Bill tinha entrado numa depressão perigosa, parecia estar agora nos anos dificeis da adolescência, mas não era para mais, o seu pai era so seu ídolo, Mary percebia-o mas isto já se andava a passar à muito tempo. Mary agarrou na boneca que Anne Marie queria, só lhe estava a da-la porque a outra tinha desaparecido, era óbvio que tinha sido o Tony para a gozar, mas agora com dezasseis anos já quase não passava tempo nenhum em casa, andava sempre com a namoradinha nova.

-Chegámos! - gritou Anne Marie quando chegou a casa correndo para o seu quarto para ir brincar com a boneca nova. Mary sorriu mas o seu sorriso começou a desaparecer assim que não se ouviu ninguém. Bill não estava em casa era certo, ela tinha-se tentado apressar ao máximo para chegar antes dele antes que reclamasse, mas a mãe de Mary tinha ido viver lá para casa assim que começou a ter um problema na coluna. De sobrancelhas juntas no cimo da cabeça ela foi pousar as compras na cozinha e foi até à sala onde a sua mãe passava quase todo o dia. Ela ainda não era muito velha, não tão velha quanto a mãe e o pai de Bill quando tinham morrido, mas os problemas que ela tinha não era um simples reumatismo. Era um problema muito mais grave, era um cancro naquela altura inoperavél. A mãe de Mary sabia disso mas tinha-lhe escondido o problema, queria morrer em paz e sabia que a filha ia obriga-la a tratar-se mesmo que fosse morrer. 

-Mãe - Mary tocou-lhe no ombro tenso e abanou-a ligeiramente, mas ela não abriu os olhos - mãe! - abanou-a com mais força e a primeira coisa que fez foi abrir-lhe os olhos para ver se a pupila reagia, mas não o fez. Mary estava orfã dos dois pais aos 38 anos de idade. Um pouco cedo demais, mas inevitável. - Não... - com o queixo a tremer Mary afastou-se do corpo já frio e pálido e abraçou-se a si própria. Ela não era burra, era enfermeira e apesar de já não exercer a profissão sabia muito bem que uma pessoa não morria assim de um momento para o outro quando se alimentava bem, quando o seu coração era forte. Quando se ouviu os passos de Anne Marie ela limpou as lágrimas muito apressadamente e foi até à porta da sala fechando-a e ficando no corredor à espera dela. 

-A avó? - perguntou ela olhando para a porta e depois para a mãe.

-A avó está a descansar, vai para o teu quarto - disse Mary com a voz chorosa, tentando acalmar-se ao máximo para que a filha não a visse naquela situação. Anne Marie era muito esperta e percebeu logo que alguma coisa não estava bem mas apenas assentiu e subiu as escadas com o coração a bater muito rápido. Mary encostou-se á porta e tapou a cara com as mãos enquanto as lágrimas lhe corriam pelas bochechas a baixo. Agora só tinha os filhos e Bill, se mais algum deles a deixassem era o fim dela. 

Ouviu-se uma porta bater mas ela não se preocupar, quer fosse Tony ou Bill eles já eram grandes e adultos o suficiente para perceber. Era Bill que estava a chegar do trabalho e que não vinha nada com boa cara, mas a sua expressão mudou logo quando a viu. Pousou a mala do trabalho no chão e aproximou-se dela sem dizer nada abraçando-a. Ela fez o mesmo chorando ao peito dele e apertou-lhe a camisa húmida nas suas mãos. - Não era só um problema na coluna - falou entre soluços - ela estava muito doente Bill - dizia ela agarrada ao marido.

-Eu sei - disse ele a dar festinhas no cabelo dela. Mary afastou-se e olhou-o indignada com os olhos vermelhos e as bochechas todas humidas.

-O quê? - perguntou ela - como é que tu sabes? O que é que tu sabes? - perguntou ela num tom chateado antes de o ouvir. Ele também ficou logo chateado, andava sensível por causa da depressão, como era de prever.

-Tem lá calma Mary eu sou médico eu sei os sintomas! - disse Bill um pouco mais alto chateado com o olhar reprovador que a mulher lhe mandava.

-Eu não tenho mais calma nenhuma. Tu sabias de tudo e não me disseste nada. Agora já nem me dizes nada, já nem és um pai para a Anne ela só me tem a mim e ao irmão. Passas a vida no teu trabalho e quando não estás no trabalho estás com o cu colado ao cadeirão no escritório. Já nem sequer estamos juntos como antes - Mary falava sem parar, sem dar qualquer tempo para que o marido falasse e ele, triste com as acusações apenas suspirou.

-Tu sabes que eu ando em investigação, estou...

-A descobrir a cura para o alzheimer como se isso fosse possível! - gritou-lhe Mary que de tão irritada estava vermelha. - Enquanto tu estás a investigar a minha mãe está a morrer e tu não me dizes nada - bateu com o pé no chão para não lhe bater a ele. 

-A avó está morta? - perguntou Anne Marie que tinha ouvido parte da discussão entre os dois. Mary ao perceber que a filha tinha ouvido caiu novamente no choro desta vez com os braços a agarrarem o seu próprio corpo para que se reconfortasse a si mesma. 

 

O funeral não tinha tido muita gente, Mary não queria a casa cheia de gente a comer da comida dela para o funeral da mãe, queria estar em paz com os dois filhos. Bill tinha estado presente, para variar, e até tinha tirado umas férias, mas Mary não conseguia esquecer que ele sabia de tudo e tinha deixado que a sua mãe morresse sem fazer nada. 

-Eu quero-te fora da minha vida - murmurou ela num momento de sofrimento agudo e puro. - E fora da vida da Anne - não podia falar do Tony que já tinha 16 e podia escolher racionalmente se se queria dar com o pai ou não. Bill estava sentado ao lado dela para a apoiar quando a ouviu. 

-O quê? - perguntou não porque não tinha ouvido, mas porque não percebia o porquê. Ela abanou a cabeça com lágrimas grossas a caírem. 

-Não estive presente estes últimos cinco anos, eu sei que estás aqui agora, mas daqui a dois dias não vai estar, vai voltar tudo ao mesmo, eu vou passar os dias sozinha com a Anne e assim que ela completar os vinte anos e tu continuares a trabalhar no teu trabalhozinho sobre Alzheimer eu vou estar sozinha - murmurou - completamente sozinha. - Bill estava estupfacto com o que estava a ouvir sair da boca da mulher. Nunca a tinha visto assim parecia que estava a menosprezar o seu trabalho quando ele só estava a tentar ajudar pessoas. 

-Sabes que mais? - perguntou enervado e de cabeça quente porque era óbvio que ele não queria isto, nem ele nem ela. - Eu vou embora, mas não me vou separar de Anne, nunca - levantou-se despois do grito que deu na última palavra e bateu com a porta de casa. Mary engoliu em seco e também as lágrimas e respirou fundo de forma trémula, mas rapidamente voltou ao choro.

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What is Love - Part III

Terça-feira, 08.10.13

Década de 50

 

 

Com a Grande Segunda Guerra Mundial assim que Tony completou os 18 anos foi chamado para o exército, não chegou a durar mais de dois meses lá. Mary e a mãe perderam os homens da casa no mesmo ano e nas mesmas circunstâncias. Foram anos dificeis para as duas, e durante um desses anos, Bill esteve a ajuda-las, a mãe tinha conseguido atrasar a entrada do filho na guerra, mas foi inevitável, ele teve mesmo que entrar. Felizmente foi mesmo nos últimos meses da mesma, ele conseguiu safar-se com alguns ferimentos graves mas não letais. Mary tratou das feridas dele, a sua sogra já estava muito velha para conseguir fazê-lo. 

Os anos foram passando e havia uma grande intimidade entre Mary e Bill, eles amavam-se verdadeiramente, não se largavam e faziam tudo juntos, agora que Mary tinha 26 anos decidiram casar. 

-Já não era sem tempo! - falou a mãe quando deram a notícia, tinha sido uma vergonha para todos quando Mary tinha tido o seu primeiro filho, Tony, e não tinha casado, mas eles não ligaram a nada. Para mostrar o que os dois sentiam não era preciso casar, apesar de ser um desejo da rapariga. - Parabéns aos dois. - abraçou a mãe de Mary os dois ao mesmo tempo. 

-Obrigada mãe - sorriu Mary com um sorriso de orelha a orelha.

-Então e já marcaram uma data? - perguntou entusiasmada e pegou no neto ao colo embalando-o nos braços.

-Queria que fossemos daqui a umas semanas, quando Mary fizesse anos - sorriu Bill.

E assim foi, Mary e Bill casaram-se no dia do 27º aniversário da mulher. Tony foi o menino das alianças, ambos acreditavam que ele era o reencarnação do tio, ele era um terrorista como ele. Os primeiros dias do casamento foram muito felizes, estava tudo a correr bem e Mary estava de novo grávida, tinha sido felicidade total para toda a família, principalmente para a mãe de Bill que dizia já não durar muito e queria ver uma netinha na família. No entanto, algo não correu bem nos últimos meses do ano.  Já era quase Natal, Tony andava a correr de um lado para o outro contente por saber que ia receber muitas prendas.

-Bill? - Mary chamou o marido que tinha ido ao sotão arranjar o telhado. Este ano o inverno estava a ser bastante rigoroso e os ventos juntamente com o granizo tinha partido vidros e o telhado. A chuva tinha arranjado cheias e infiltrações, mas não era nada de grave. - Bill? - voltou a chamar Mary já a subir as escadas por ele não ter respondido. Quando chegou ao andar superior sentiu o seu coração apertar-se. Bill estava desmaiado no chão e o escadote em que tinha estado a arranjar o telhado estava em cima dele. Mary colocou-se de joelhos a seu lado, já com uma barriga grande da gravidez. - Bill, Bill acorda - fez um esforço para lhe tirar o escadote de cima e assim que conseguiu olhou para o corpo do marido. Ele respirava, ele estava vivo. Mary respirou fundo para não se descontrolar e passei os dedos pelo cabelo de Bill pedindo-lhe baixinho para que ele acordasse. As lágrimas já corriam pela cara dela a baixo quando ele começou a abrir os olhos. - Oh meu deus - agarrou-se a ele a fungar e quase sem folgo, ele gemeu com a dor da pancada que agora só conseguia sentir. 

-Mary - chamou por ele atordoado. 

-Eu estou aqui - passou-lhe as mãos pela cara toda só para garantir que ele ali estava beijando-lha de seguida - Estás bem? Dói-te alguma coisa? o que é que aconteceu? - perguntou Mary limpando as lágrimas.

-A minha perna falhou - Bill tinha ficado ferido na guerra, tinha estado prestes a morrer com uma infecção e as coisas nunca foram as mesmas depois disso, mas tinha recuperado graças a Mary que tinha estado enfermagem e tinha sido muito boa companhia. 

-Pronto, está tudo bem agora - murmurou ela dando-lhe uma festinha na bochecha - como te sentes? - perguntou ajudando-o a sentar-se.

-Tonto, mas fico bem - sorriu para a descançar. Ela sorriu e abraçou-o fazendo uma careta quando sentiu uma dor mais forte. Reconhecia aquilo.

-Aiaiai - gemeu agarrando-se à barriga - vai nascer - fechou os olhos.

 

O próximo vai ser amanhã ou no próximo dia

Isto é algo muito breve e inspirado numa história veridica, mas espero que gostem, foi só para atualizar.

Desculpem alguns erros

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